hoje me bateu uma saudade daquelas calles llenas de paralelepípedos, ventanas grandes, poucas opções de lazer e muito tempo de sobra.
quando dá vontade de fugir de novo pode ser que alguma coisa esteja errada. ou que a gente precise um tempo de nós mesmos, sabe? para poder-nos conhecer melhor.
há quem diga que viajar para distanciar-se de problemas é bobagem, prática ineficaz.
ah, quem afirma tamanha heresia nunca embarcou em experiências internacionais -para fora de si – com a maestria necessária.
é claro, ao empacotar, guardamos também o cérebro e o coração, vitais à nossa saúde e a nosso sofrimento. mas navegar por terras distantes, voar para longe da raiz do que aflige e desembarcar em estações além-mar de lágrimas é um santo remédio.
é possível desfazer-se e reconstruir-se em um apenas partir e chegar.
pôr os pés em novos destinos são oportunidades de escolher uma nova personalidade e encontrar-se ainda mais.
viajar é conhecer pessoas novas, culturas infinitas, idiomas impossíveis de decifrar e entender que a vida é muito mais e maior do que aquele minúsculo mundinho cotidiano, de onde saiu o motivo do pesar.
não pesa mais, a não ser que o passageiro muito insista em vestir aquela máscara de oxigênio sem haver despressurização na cabine.
melhorar depende única e exclusivamente de quem decide caminhar por outras estradas da vida.
viajar é ter problemas maiores do que dor de amor, de desilusão, de perda.
viajar é perdão, é esquecimento, é superação. viajar é auto-conhecimento, auto-suficiência.
viajar é cura, sim.
e chegou minha hora de partir de novo. de mim e para mim. em uma viagem sem fim.

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