“tô precisando de ajuda”, disse.
foi a primeira vez em muito tempo que deixou sair todo o desespero.
soou brando, doce e sincero.
mas era dolorido, veloz, fatal.
incontolável, triste, choroso, moroso, agudo, azedo, difícil.
era chato, impróprio, atrapalhava, matava, espatifava, envergonhava.
tinha medo, amor e dor. tinha história – começo, meio e fim -. e tinha queda. livre.
não tinha paraquedas, não tinha manual, não tinha instrução.
não tinha mapa, nem botas, nem água.
não tinha colchão, amortecedor, travesseiro.
não dormia. só sonhava. e acordava. acabada.
não tinha comida. mas alimentava. de raiva, de dúvidas, de lágrimas.
pegou na mão, arrancou do coração. deitou no chão.
e passou. sempre na contramão.

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