O coração que bate. O sangue que pulsa. Sozinhos.
As fotos na parede, o banco debaixo d’árvore, o cão que passeia cabisbaixo cansado de intrometer-se em conversas alheias. Sozinhos.
O bar que espera o cliente, cheio de bebida, a faixa que se apaga no chão sem passos, em vão. Bicicleta perdeu seu guidão. Paralelepípedo adormece no chão. Porta em que ninguém nunca bate não. Nenhuma correspondência, nenhuma declaração.
A estrada tão quente no verão que sozinha fica quando passa o feriadão.
A carta que espera para ser aberta, tão certa, secando na solidão. E o mar, aquele mundão, sem alma e sem coração, sorri à espera de suas visitas, turistas que vêm de longe, de perto, de montão. Aproveitando o dia e, à noite, largando as cadeiras na mão. Sozinhas.
Num só clique, que representa a tão vazia multidão.
O outro lado da rua, nua, vagando na contramão.
Olhar sobre o mundo, sob a paixão de ser coração.
No papel a visão, sem razão.
Preto e branco para não perder nenhuma cor de detalhe, nem brilho, nem saturação.
Quarto escuro revela o desespero que vela toda a busca. Sozinha.
E não aparece, não encontra, descalça e caminha uma trilha solitária.
Só a câmera na mão. Só o dedo na contração. Que comprime, comprime, comprimido que toma num só golão.
E acalma-se e constrói-se no botão que aperta e aperta mesmo quando o foco não vem.
Vai ver está lá, do outro lado da lente, tão quente, aquele procurado outrém.