Se gravado, certamente se tornaria viral.
Mas a vida real não é bem assim, sabemos.
Lá estava eu, exausta, transtornada, com vontade de chorar.
Nas mãos, luvas de forno e uma pinça. Na cabeça, um coque desarrumado envolto em pano rosa. Nos pés, grossas meias e crocs (?!) roxo.
Ao meu lado, um edredom amassado, papeis remexidos: receita médica, carteira de vacinação e telefone dos responsáveis.
Os olhos da Niña estavam saltados, assustados, pupilas dilatadas. Os olhos que piscavam em sinal de afeto cada vez que me miravam, agora evitavam os meus pedidos de desculpas pelo estresse gerado.
Estava ela também exausta, transtornada e, certamente, com vontade de chorar.
Ainda se eu tivesse conseguido. Aí sim, balbuciaria (ainda com lágrimas nos olhos) um orgulhoso “foi para o seu bem”. Mas nem isso. Nem isso.
Puro fracasso.
Desapontada, joguei longe o celular. Na tela, o vídeo pausado: tutorial que para nada serviu.
É isso, concluo, sou péssima mãe.
Mal consigo cuidar de mim, veja bem, pra quê fui inventar de ter sob minha vigilância outro ser, tão bonitinho e frágil – mas de dentes grandes e unhas tão afiadas.
Não consigo. Desisto.
No dia seguinte, então, lá fui eu e Niña receber uma forcinha nesta árdua tarefa.
Deu tudo certo e nem pareceu tão difícil. De acordo com o veterinário, isso acontece com muita frequência. É complicado mesmo dar remédio para um gato.
O único constrangimento foi sacar da bolsa uma escova de pelos e um cortador de unhas enquanto explicava que o comprimido não tinha sido exatamente minha única dificuldade…
¯\_(ツ)_/¯

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