Teus olhos brilhavam, sorriam teus lábios tensos. As mãos não se desgrudavam nem por um segundo, dedão com dedão fazendo movimentos circulares para ver se o ciclo começava ali mesmo ou se era só alucinação. Teus pés bailavam uma espécie de forró, derrapando sem medo pelo chão de mármore gelado incapaz de conter teu suor. Gotículas que caíam da testa e passavam pelo nariz para pousar onde desse, onde cresce sua imensa emoção. Esperou. Com enorme paciência. E desabou quando a noiva no altar pisou. Nem teu nome soube pronunciar. É que alma não tem certidão e quem mandava ali era aquele tipo de conexão, de outra dimensão. A vida só acontece para quem deixa, para quem quer, para quem se joga. E você mergulha na imensidão de alegrias que o universo, justo que é, reservou apenas para ti. Então, vá. Solte-se de toda e qualquer amarra e voe com a realização plena nesta esfera de água e terra que é pequena para o tanto que merecera.
Vi tua felicidade e tive vontade de chorar. Mas sorri. Para que em 2016 só gente de alma bonita e coração grandioso possa soltar esse riso gostoso que com gratidão percebi em ti. Te desejo neste abraço que todo o peso e todo o cansaço seja enfim recompensado num futuro cujo passado é apenas um filme mal editado a que assistimos no jardim com um balde gostoso de amendoim.

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