Em versos desprovidos de rima, banhados de rítmica melodia, me recuso a passar pelo mesmo infortúnio que me trouxe até aqui. Tantos parágrafos tingidos de sangue de duas esferas cansadas de chorar. É vomitar verde quando já não se tem nada no estômago. Arranhar-se com pequenos cacos de um relógio estraçalhado, erroneamente culpado pela espera de lhe degustar. Uma vida escondendo maços de cigarro imaginários no bolso das calças fartas de sentar em muretas de cimento solitárias para apenas se lamentar.
Hoje eu acordei com o coração na mão e o celular também. Descartei convites animados e encontros queridos. Andei de um lado pro outro, vestindo pijamas e a imensa vergonha de reconhecer-me no coque mal feito, falta de nutrientes e nicotina nos pulmões.
Esperei mais uma vez, é claro – velhos hábitos são difíceis de expelir, como doloridas pedras nos rins com alergia à buscopan na veia.
Contentei-me, porém, com tylenol. 750. Esborrifei um bocado de licor no siso nascendo e vesti minha coroa de flores. Tão mexicana quanto meu espírito que já foi livre em terras cucarachas. Tranquei a porta, deixando o vício teu descarregado em cima da cama e fui viver o melhor carnaval da minha vida. E este, my dear friend, já não vai ter mais fim.
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