Aquieta esse facho, menina. Acalma essa alma. Canta essa canção. Não deixa mais vir do coração. Medita nas nuvens. Encontra o equilíbrio. Desperte o chakra. Deita na cama. Chore de rir. Assista TV. Beba um copo de vinho. Talvez dois. Talvez três. Garrafas. Fique sozinha um pouco. Deixe passar. Deixe vir. Não deixe ficar. Lembra de como era bom. Pensar só em você. Só para você. Só se quisesse. Se fizesse. Acontecer. Firma bem esses pés no chão, garota. Que passarinho sem asa não sabe voar, não. Observe de cima. Afaste-se do clima. De fininho, na multidão. Passa embaixo desse cordão. Acorda a mente. A imaginação. O apego não pode mais existir. Deixe chegar, mas faça sair. Guarde memórias em potinho cheio de areia. Despeje no mar, invocando a sereia. Nade profundo, pegando seu espaço. Só grude em si mesma, não se faça de carrapato. Limpe, limpe os sapatos. Não autorize a sujeira a adentrar. O que não serve não pode ficar, só deixe sair, não deixe entrar. Berre bem alto, chame bem a atenção. Mas depois caminhe discreta, não dê nem seta, nessa contramão. Aperte o botão. Esperança jogada na esquina. Tacada de cima do ventilador. Ignore essa dor. Egoíste-se. Sem dó. Sem chance. Sem querer ouvir sermão. Não se rebaixe, não abaixe essa razão. Tenha na cabeça essa missão. Na ponta da língua. Sempre a palavra não. Solte o cinto, se jogue no chão. Não faz bem viver assim, sempre a sorrir, com os dentes na mão.

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