Raiva

Realmente me deu vontade de chorar. Não fosse meu orgulho, todo o lamento preso com aperto no meio do peito rolaria, salgado, bochechas abaixo. Acho que seria daquele tipo de choro de criança cansada, que faz bico e barulho e perde até o fôlego, tamanha insatisfação.
Queria ser criança, talvez. Deixar o mar desaguar sem medo de julgamentos. Esperar a mamãe acalmar, acalentar, ninar. Queria dormir. Na mesa de trabalho mesmo. Arrumar um casulo, montar uma cabana.
Queria que a vida desse um tempo. Que desse umas férias. Coisa pouca. Que pudesse trazer apenas alegrias. Por alguns dias apenas, que fosse. Que encantasse ao fazer-me enxergar o mundo como pequenina que fui e ainda sou e sempre serei.
Talvez o problema, enfim, seja eu. Talvez seja mimada demais, talvez esteja cansada demais.
E para segurar, como é que faz?

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