Demorei muito pra me encontrar. E essa não é uma música do Fábio Jr. Quem me conhece, mas, assim, conhece mesmo. Mesmo, mesmo… sabe que eu tenho uma lista de nomes imensa pros meus filhos que ainda hão de vir.
Spoiler: todos eles nascerão com 87 anos, culpa de nomes lindos e controversos nas rodas de bar como Adelaide, Carmela, Mercedes, Theodoro, Aquiles e Nicolau (e esse é só o começo). Veja bem, eu jamais registraria meus filhos com nomes esdrúxulos, que podem vir a ser sinônimo de sofrimento, mas gosto de nomes poderosos, inesquecíveis. E, sinto muito, eles vão ter que lidar com isso.
Meus pais me deram nome de cantora de MPB. E se a Ana Carolina já não fosse famosa e maravilhosa como é, eu provavelmente faria proveito desta composição que teve como inspiração uma menininha linda que minha mãe conheceu antes mesmo de engravidar.
Na escola, tinha Caio Zen, Marina Tommasi, Marcela Leal, Natália Gilia, Camila Soler. Na faculdade, Thaísa Gazelli, Cecília Leite, Mayara Castro. Até na família tem nome que pega. Tem Giovanna Vecchi. Meu deus, quem é que esquece uma Giovanna Vecchi.
E eu passei a ter um nome só. Ana, pros amigos. Carol, na família. Tem gente que me chama de Ana Carol, mas não tem nada que eu odeie mais nesse mundo.
No trabalho, virou Ana Pereira. Só porque eu acho que as pessoas, mesmo com mais de 30 anos na cara, não teriam maturidade pra encarar um e-mail ana.pinto@qualquercoisa.com. O sobrenome do papai, então, coitado, fica lá, de escanteio.
Não tenho nada contra nomes comuns, vale ressaltar, muito menos o Pereira, que, na minha família, veio pro Brasil num navio recheado de coragem e histórias tão lindas e que, por mim, fora herdado do homem mais generoso e buena onda que conheci, o vô Athayde (sim, pessoal, com “th” e “y”, fazendo o favor).
Mas alguma coisa ainda tava faltando. Um pouco de personalidade, de diferente, de mim. Tentei usar o nome da minha avó. Flore. Tão bonito. Veio lá da Itália. Vem de flores, talvez. Mas não pegou, não. Não é muito internacional e minhas ambições, meu quiridinho, são altas.
Foi aí que surgiu o limão. Não é o bairro, não é a fruta. Mas me foi entregue numa cesta, bem de bandeja, colhido nos alpes, por uma leitora: “ai, seus textos são tão ácidos. mas, ao mesmo tempo, prazerosos. é tipo chupar limão”. Juntou essa fofura de declaração com uma personagem magnífica de uma série magnífica que já se acabou e eu fui, aos poucos, virando eu.
Com o nome, veio a minha certeza. Foram-se os medos, vieram os textos, os trabalhos e milhões de oportunidades.
Do registro do nome, em cartório aqui dentro, na alma, na mente, nasceu a menina escritora. Ana Pereira fez jornalismo porque só servia pra ler e escrever. Ana Lèmon veio ao mundo para a escrita e é escrevendo que vai crescer.
Meu nome agora é Zé Pequeno, porra. E, pode esperar, 2017 tá chegando e você ainda vai ouvir falar de(sse novo) mim.
Depois de toda essa arrogância, me despeço. E se meus pequenos Fredrich, Odette, Consuelo, Loretta e Apollo quiserem mudar seus nomes pra Maria, Pedro, Joana e Lucas Silva e Silva, eu vou achar a coisa mais linda desse mundo. O que importa é se encontrar, se amar, se deixar ser o que é e viver, viver muito, que a vida é um limão azedo, delicioso e despretensioso, que vem na bandeja ou nasce no pé.