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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

mês

fevereiro 2017

tá nublando a nuvem dos olhos.
o cinza é clarinho e o sol ainda se vê ao longe.
o mundo é muito grande. e tem tanto problema maior do que o meu.
injusto é deixar a inocência deitada na cama, vítima de um vírus qualquer. raro.
injusto é ver a cria murchinha, tristonha, sem poder brincar.
injusto é poder uma história contar. e achar que tudo é capaz de mudar.
mas poder sair pro cotidiano enquanto com muita doença o paciente ainda tem que lidar.
injusto é conseguir todas as contas pagar e ainda assim só saber reclamar.
a vida é tão linda. mas muda num segundo e o melhor mesmo era se o meteoro contra a terra resolvesse se chocar.
assim, não tinha mais o que chorar.
e enquanto eu me ponho aqui, a trabalhar.
uma família lá fora acaba de desabar.
dá vontade de desistir, é muito difícil continuar.
mas é exatamente agora que não dá pra arregar.
se você tem a sorte de sua saúde desfrutar.
vai pra casa, não precisa duas vezes pensar.
corre pros seus queridos, agarra mesmo, sem explicar.
enquanto o coração ainda tá bantendo, por favor, bora aproveitar.
deixa de besteira, faça tudo valer a pena.
não deixe nunca de abraçar.
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Aqui vamos nós outra vez

Achei que o coração tava quebrado.
Até batia, mas nada sentia.
Apanhou, apanhou, apanhou.
Atacar ele até tentou.
Mas caiu. Desajeitado.
Pobre, pobre coitado.
Num potinho feito de gelo ele descansa sem demora.
Não tá nem aí pra vida lá de fora.
E, assim, os dias foram todos se passando.
Tranquilamente, monotonamente, solamente caminhando.
Sem muita emoção, focando na concentração.
Sem dizer muitos sim, só tacando a mão no não.
Mas um tiro meio torto o atingiu bem em cheio.
Devagarinho remendou o buraquinho lá do meio.
De repente ele ri, ele dança, ele chora.
Mesmo com medo do crescer do sentimento que aflora.
Ignora os sinais, pensa bem antes de falar.
O receio bate forte de de novo machucar.
As músicas voltaram a fazer muito sentido.
A grama tá mais verde, o mundo tá mais lindo.
O sorriso, mega bobo, invadiu o guarda-roupa.
Vai com calma, coração, tô ficando muito louca.
É difícil, no escuro, tantos passos ter que dar.
Dado os riscos que se corre se de novo se entregar.
Fecha os olhos, dê-me a mão, corajoso coração.
Se o cair é inevitável, só saberemos ao tentar.
O importante, sempre sempre, é saber se levantar.
Vem comigo, vem sem medo. Vem a vida aproveitar.
Tá na hora de viver. Tá na hora de amar.

Amigos, amigos… Facadas à parte.

comecei a chamar a menina de traíra, veja bem, sem que ela me tenha feito nada. absolutamente nada. bem, nada diretamente, né? porque magoar amigo é magoar-me duas vezes. traição, então, nem se fala. que a gente passa uma vida inteira de confiança, respeito, admiração. segura a cabeça do outro enquanto o outro vomita, não deixa engasgar, pega água gelada, protege o cabelo e até leva pro hospital, se necessário. tudo sem contar pros pais do dito cujo, que além de pisar, espirra a merda pros amigo tudo. que a gente faz voz de quem sabe muito bem do que está falando quando recebe a ligação às quatro da manhã de uma mãe desesperada e responde “aham, aham, tá aqui sim, mas não pode falar, porque tá no banheiro”. e aí é a gente que desespera, ligando para todos os conhecidos em comum, hospitais, iml, suando frio até aparecer, tão vivo que dá vontade de matar. a gente pega carro emprestado para acudir quando foi preso, quando foi pego, quando tá triste. a gente deixa de dormir para servir de terapeuta. gasta o crédito que não tem para acalmar ânsias noturnas. deixa de lado família, trabalho, animal de estimação. que a vida do outro é tipo continuidade da nossa. que se o outro morre, grande parte da gente vai junto. que quando machuca, a gente fica meio manco também. e se estamos numa canoa, eu remo e você descansa. você descansa e eu remo. e aí eu falo mesmo. que na hora de ser amigo na festa e na farra, ah, aí é mara! mas na crise e no problema, aí não dá para aguentar? que pode me ofender, difamar, xingar e até berrar. nada disso me indigna. mas apunhalar pelas costas a amiga? cê me desculpa, que aí não vai dar.

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