Andei, observei, me irritei com as pessoas que riam, sem entender nada daquilo tudo.
Prestei atenção mesmo assim. Senti cada palavra. Senti a dor. A angústia. O sofrimento que é só meu e tão comum a todos os seres humanos.
Derramei uma lágrima ou outra, controlada.
Andei mais um pouco, observei mais um pouco, me irritei mais um pouco com as pessoas que riam. Até tem sua graça. Mas não é uma comédia, eu garanto.
Sentei. Chorei um pouco mais.
Me perdi entre uma cena e outra. Pensando. Teve diálogo demais, talvez. Não prestei atenção.
Aí ela se levantou e puxou sem dó o primeiro pedaço de pano. Expôs o vazio que se fazia por detrás da cortina. Arrancou. Arrancou. Arrancou. Feroz. Um a um.
Enquanto a música dizia que imergia seu nome e o deixaria intacto, solucei.
Chacoalhei na cadeira. Dos olhos saíam cachoeira. Muita água. Muito sal. Maquiagem abaixo.
Chorei tanto. Tanto desespero. Que ri. Ri de nervoso. E chacoalhei mais um pouco. Gargalhei. Dos olhos saíam cachoeira. De tanto rir. O corpo se contorcia na cadeira. De tanto rir.
E ri e chorei. Já não sabendo mais se chorava enquanto ria ou ria enquanto chorava.
Suspirei.
Aliviei.
Respirei.
Exausta.
Vai ficar tudo bem.

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