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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

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A cidade em você

Eu quero é botar meu bloco na rua

Em versos desprovidos de rima, banhados de rítmica melodia, me recuso a passar pelo mesmo infortúnio que me trouxe até aqui. Tantos parágrafos tingidos de sangue de duas esferas cansadas de chorar. É vomitar verde quando já não se tem nada no estômago. Arranhar-se com pequenos cacos de um relógio estraçalhado, erroneamente culpado pela espera de lhe degustar. Uma vida escondendo maços de cigarro imaginários no bolso das calças fartas de sentar em muretas de cimento solitárias para apenas se lamentar.
Hoje eu acordei com o coração na mão e o celular também. Descartei convites animados e encontros queridos. Andei de um lado pro outro, vestindo pijamas e a imensa vergonha de reconhecer-me no coque mal feito, falta de nutrientes e nicotina nos pulmões.
Esperei mais uma vez, é claro – velhos hábitos são difíceis de expelir, como doloridas pedras nos rins com alergia à buscopan na veia.
Contentei-me, porém, com tylenol. 750. Esborrifei um bocado de licor no siso nascendo e vesti minha coroa de flores. Tão mexicana quanto meu espírito que já foi livre em terras cucarachas. Tranquei a porta, deixando o vício teu descarregado em cima da cama e fui viver o melhor carnaval da minha vida. E este, my dear friend, já não vai ter mais fim.
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Guanajuato lindo y querido

Lembra quando a gente chegou aqui, meu deus?

Uma menina de olhos chorosos e bússula quebrada. Não fazia a menor ideia de quem era ou de quem poderia vir a ser.

No começo, foi o México que teve que se acostumar com minhas roupas bregas, minha temporária aversão a todos os tipos de chile, minha mania de comer abacate com açúcar e meu mal espanhol.

Para mim, no entanto, foi rápido entender a geografia das pequenas calles, o bom humor matinal mexicano, os mariachis invadindo os restaurantes e os domingos com direito a banda no coreto.

Por meses eu esqueci o que era andar de carro, demorar mais de 15 minutos para chegar em algum lugar ou passar o sábado em um shopping center.

Nos finais de semana, com pouco dinheiro, pegava qualquer ônibus e visitava cidades vizinhas, com diferente culinária, diferentes morros, diferentes pessoas e igrejas muito parecidas.

Não tive problemas com as peregrinações matutinas que tomavam toda a minha rua. Algumas eu até acompanhei. Aliás, gostava muito de participar de eventos locais. La única güera em meio a todos aquelos mexicanos festeiros e fiéis.

Se a minha história com Guanajuato tivesse terminado quando estava programado,  esta pequenita cidade mexicana estaria para sempre em meu coração como a cidade da magia, felicidade e calmaria. Provavelmente seria destino de inúmeras férias e de vida depois da aposentadoria.

Mas estar apaixonado, minha gente, funciona da mesma maneira em qualquer lugar do mundo. Assim, Guanajuato e eu, sofremos a crise dos 7. 7 meses depois, as cucarachas começaram a me incomodar. O fato de ter que buscar pequenos animais mortais como aranhas e escorpiões debaixo da cama, nas frestas das janelas y en todos los rincones me empezó a molestar. Mesmo.

As mesmas músicas dos mesmos mariachis a cada restaurante me agradava cada vez menos e quando a banda do coreto começou a me irritar, meu amigo, eu soube que era o fim. Depois de 9 meses, o cheiro de tortilla de maíz sendo feita passou a ser veneno pro nariz e o sotaque mexicano já não era mais assim tão bonitinho.

Comecei a sentir falta até do trânsito de São Paulo e passei a não entender como pessoas de países como Estados Unidos, Canadá e Suíça resolviam ficar para sempre em Guanajuato. Os óculos cor de rosa caíram e o ar seco e a altitude daquela cidade que um dia me surpreendeu, começou a me fazer mucho daño.

A vida tem ciclos e o segredo é saber enxergar a hora de fechá-los. Se eu insistisse um pouquinho mais, acredito que sairia daqui com um verdadeiro asco de tudo que tem a ver com México. Mas, felizmente, minha história se encerra a tempo de receber o meu diploma e reconhecer que o país da tequila foi meu melhor amigo e a melhor coisa que podia ter acontecido em minha vida neste último ano.

Foi aqui que eu descobri quem eu era sem medo de mostrar-me ao mundo. Foi essa cidade que me acolheu com seus callejones íngrimes e o ar seco nem fez tanto mal assim. Saio daqui uma pessoa muito melhor do que cheguei. Com amigos de todas as partes do mundo, inúmeras fotos, um repertório cheio de malas palabras y canciones en español, histórias para contar, receitas de abacate com sal e já sem paixão, mas com muito amor que, muito claro e límpido, seguirá comigo até a eternidade. Guanajuato sempre fará parte de mim e eu sempre farei parte de Guanajuato.

Facebookcídio

A gente vive em cidade pequena e reaprende a conectar sem presença de tecnologia, a curtir sem apertar um botão, registrar sem fazer check-in, estar junto sem tagar em fotos, aproveitar sem flashs e ter uma história incrível para contar sem atualizar status.

Buena onda

Chuva que lava o chão da alma, escurece o céu e clareia a mente.
Deixe-me enxergar através de límpidas gotas de frescor tudo aquilo inchado pelo calor.
Deixo limpar enquanto espero paciente o libertar do caminho à casa de Linda.
Lindos são os costumes de um povo que desconhece o consumismo, que vangloria o esquecido abraço, que caminha sem pensar em estética e nunca tem pressa, por isso para para conversar com vizinhos e antigos amigos.
Chuva que cai sem reclamações, vem apagar o agito da velha cidade, leva tudo aquilo embora.
Traz Guanajuato pra dentro do meu peito que não mais chora.

A hora de ir pro altar

Cidade do interior é assim mesmo: calor durante o dia, frio durante a noite. Aquela calmariiiiiia que inquieta, ao invés de acalmar, qualquer um acostumado com uma metrópole. Ar puro, vizinhança inteira se conhece, é amiga e todo mundo sabe da vida de todo mundo (‘aquela ali tem um caso com o bonitinho que mora em frente àquela moça que engravidou do coroinha, lembra? Então, aí…’), uma maravilha!

Praça de interior é assim mesmo: crianças brincando enquanto o sol ainda raia, jovens se embebedando e paquerando à luz da lua. Um clima acolhedor, sensação de cobertor velhinho em noite de inverno.

Tias do interior são assim mesmo: acumulam as meias ainda não entregues – presentes de 3 aniversários e 4 natais -, enchendo a gaveta do guarda roupa para o rigoroso inverno. Fazem aquelas receitas de bolinho de chuva que ninguém, no mundo, sabe fazer igual e, acompanhadas de chocolate quente no capricho, ouvem suas histórias xoxas, da vida comum, como se fossem acontecimentos do ano.

É uma delícia, por mais que tedioso, vistá-las nessa época do ano. Por lá, a festa junina é da melhor qualidade. Arroz doce, canjica, quentão, bolo de fubá, broa de milho, tudo caseiro! A festa é de São João, mas as tias são devotas de Santo Antônio, o casamenteiro, e levam tudo muito a sério:

– Minha filha, tome: pão de santo Antônio, bolo de santo Antônio, água de santo Antônio! Tome tudo, tudinho!

– Mas é muito…

– Olha, hoje em dia, até santo tá cobrando juros, correção e ainda entra na onda da inflação! Faça direito, menina, se ajude: beba tudo, coma tudo e aproveita pra fazer essa novena aqui, tó!

– Tá bom, tia, obrigada…mas…

– Você quer ficar que nem a filha do dono da vendinha? Olha lá, que dó: quarentona, solteirona, de tão desesperada usa essas roupas curtas nesse frio, viu só?! Você quer ficar assim, quer?

– Não, tia, mas é que….

– Sabe? A a mãe da moça que engravidou do coroinha tem muita fé! Ela fez que fez promessa, fez que fez novena e não é que o santo atendeu? Só que ela, coitada, pedia errado: em vez de genro, pedia um neto e cá ele veio! Mas a moça, coitada, agora tá mãe solteira! Você quer ficar assim, quer? Quer?

– Não, tia, mas é que…

– Tome, minha filha, mais um pedaço de bolo e leve esse pão com você, que é pra quando sentir que tá indo, mas não vai…Sabe assim, aquela sensação?

– Na verdade, não, mas…

– Olha aqui, Esmeralda, a cria vai voltar pra cidade grande munida de santo Antônio no estômago e, se o santo quiser, no coração!

– Que bom, minha filha! Esse foi feito com muita fé! Do próximo ano não passa, agora sim você vai arrumar um marido!

– Mas eu…não quero arrumar um marido no próximo ano…

– O QUÊ? NÃO? COMO NÃO? FÁÁÁÁÁTIMA, CORRE AQUI!! COSPE, MINHA FILHA! COSPE! COSPE TUDO! PÕE ESSE DEDO NA GUELA, COSPE, COSPE!

– Ai, Esmeralda, que bom que deu tudo certo com a bichinha! Preciso avisar que ela esqueceu as meias, ano que vem a gente entrega junto com os próximos pares! Ai, ai, que idade bonita a dela! Mas ela tem razão, é muito nova, teem tanta vida pela frente… que bom que a gente fez ela cuspir o bolo, o pão, a água…

– É, isso aí a gente deu um jeito, né? Mas quero ver o que que eu vou fazer agora com os número dela que eu distribuí pros meninos, filhos das cumadres daqui, que moram na cidade grande. Avisei que a cria tava feita e que tava procurando marido…

– ESMERALDA!!!!

– Ah, Fátima, sabe como é, né? Não dá para deixar tudo na mão do santo assim hoje em dia. Só quis dar uma forcinha…

Bem vindo de volta, São Paulo

OBS: este texto é uma reedição (blog naotembulameuremedio.wordpress.com)

Quase 2 meses depois da data oficial, o ano começou (agora na prática). Quem ia viajar, já viajou. Quem é fã da mais famosa festa brasileira e passa o resto do ano pensando em pular carnaval, já pulou e, provavelmente (salvo algumas raríssimas excessões) , todas as promessas de ano novo já foram descumpridas: já percebemos que é quase certo que continuaremos a estudar para as provas na véspera, que não teremos tempo para ler mais livros, que não faremos uma limpa no armário abarrotado de roupa, não caminharemos pelo menos 3 vezes por semana, não subiremos escadas ao invés de usar o elevador, não seremos mais pacientes no trânsito e não, não vamos começar um novo regime na próxima segunda feira.

Isto entendido, o ano finalmente começou. Tirando o fato de que escrevemos as datas repetidas, mudando apenas o 2010 por 2011, é quase como se tudo continuasse da mesmíssima maneira, inclusive o lugar em que moramos.

Há um certo vazio dentro da cidade nas férias que me intriga. Tenho que confessar que o fato de quase metade da população suburbana se afugentar em praias lotadas, casas de parentes no interior ou até mesmo países distantes, faz com que a vida do paulistano que fica seja um pouquinho mais agradável. A sensação que tenho é que consigo ocupar um lugar maior na grande metrópole. E isso serve para pequenos clubes noturno (em que antes, não se podia nem sonhar em dançar empolgadamente, porque corria um grande risco de bater em pessoas desconhecidas) e cinemas, por exemplo. Sinto até que posso escolher, de fato, o restaurante em que quero jantar de acordo com as minhas preferências gastronômicas e não apenas levando em consideração o tempo de espera e o estresse que passaria esperando por uma mesa. Lugares mais vazios, menos congestionamento, menos filas, quase a perfeição. Mas ainda assim, alguma coisa me incomoda. Me lembro de já ter citado, em texto passado, como nos tornamos um pedacinho da cidade em que moramos e volto ao mesmo ponto. São Paulo que eu conheço é frenético, lotado, estressado. Passando férias e feriado por aqui me sinto como se tivesse viajado e estivesse conhecendo alguma cidade mais tranquila e bem mais calma.

Mas é melhor não se acostumar muito, pois passado o carnaval, subitamente se percebe uma movimentação estranha. Não chego mais aos lugares em 20 minutos, não passeio tranquilamente pelas ruas e muito menos consigo chegar depois das dez da noite e me deparar com uma mesa sorrindo para mim, me esperando no barzinho mais famoso do bairro. Pronto, São Paulo está de volta. Estou achando até que era a cidade, e não eu, que tinha tirado férias.

Protesto da alma

As lágrimas que escorriam chegavam à boca quase no exato momento em que balbuciava fragmentos de memórias de velhos e bons tempos que passara naquelas salas. Risadas, choros, surpresas, conversas, paqueras, análises, apreciações e, não raras vezes, até um cochilinho daqueles propícios de depois do almoço. O que mais lhe incomodava era imaginar o que faria se aquele espaço – já tão conhecido, quase como sua casa e, certamente, parte de sua vida – passasse a ser um mero caixote de concreto como tantos outros ao seu redor: sem vida, sem cultura, sem a frequente presença de descolados e interessados jovens, saudosos e bem dispostos senhores e qualquer tipo de público que por ali passasse e resolvesse ficar. Temia mesmo era que faltasse àquele prédio a rotina de bons momentos.
Seu Opi Stein tem 72 anos e frequenta o Cine Belas Artes ‘desde a época em que ir ao cinema era um glamour só’. No dia 23 de fevereiro, às sete horas da noite, lá estava ele, segurando uma discreta folha sulfite que dizia, em letra de mão, ‘salvem o cine belas artes, salvem a cultura da cidade’. Não se sabia ao certo o que estava acontecendo. Manifestantes apareciam em todos os cantos e tentavam, das mais diversas e barulhentas maneiras, explicar o porquê de tanta revolta. Jornalistas não sabiam mais o quê ou a quem perguntar. Foi então que, por obra do acaso, no meio de todo o burburinho, a câmera de um dos muitos veículos de comunicação que cobriam o evento percebeu, num cantinho quase escondido, o humilde protesto de um quietinho senhor. Apesar dos muitos jovens que pulavam e exigiam, aos berros, providências contra o fechamento do cinema, a atenção se voltou toda àquele discreto pedido e foi ao tentar responder à uma simples questão como ‘o que o Cine Belas Artes representa para o senhor?’ que as incontidas lágrimas – também discretas e humildes – conseguiram, sem fazer qualquer alarde, explicar as razões pelas quais o estabelecimento não deveria ser fechado. Da maneira mais simples e pura, entendeu-se, enfim, a importância que aquele tão conhecido cinema de rua tem para a cidade de São Paulo.

Raindrops keep falling on my head

Pequenas nuvens começam a se formar. É nessa hora que, aqueles que podem, saem de seus trabalhos, correndo. Ao alcançar o próximo quarteirão, o céu já é encoberto por um manto enorme, espesso, preto.
Agora é só esperar. No caminho, iluminado por clarões de raios e relâmpagos, a pressa é visível aos olhos de todos os pedestres. Medo.
Não tarda, pingos grossos atingem por todos os lados. O guarda chuva não consegue segurar e vira do avesso por muitas vezes. O vento é veloz demais. Os pássaros passam avisando, a chuva forte está mesmo chegando.
O ponto de ônibus já não é mais abrigo. O jeito agora é se virar como dá e esperar, ansiosamente, pelo transporte. Na adversidade se faz amizade, concluo. Uma inteligente e precavida senhora chama a atenção de todos. Nos pés, uma delicada sandália de material sensível. Olha para os lados, tira da mochila uma enorme sacola e, de, lá sua salvação em dias de janeiro: uma longa e estilosa galocha. Logo, todos ao lado começam a mostrar seus truques. Uma capa de chuva azul, um guarda-chuva gigante, saco plástico nos pés, lenço para proteger os cabelos e mochilas impermeáveis. Só faltava um bote inflável. De resto, todas as artimanhas possíveis e imagináveis estavam ali, num raio de cem metros que comportava o ponto de ônibus e seus arredores. A situação um tanto quanto inusitada colocou um sorriso no rosto de muitos ali presentes. Olhares amigáveis, começos de conversa e comentários sobre a rotineira poça d’água que resolvia se instalar logo ali, na espera para ir para casa. Carros, caminhões e ônibus passavam sem se importar, jogando água para tudo quanto era lado, molhando o que estivesse ao seu redor. Egoísmo. Fazendo do mundo um lugar sempre pior. Característica comum àquele que, ao terminar de tomar seu refrigerante tacou a garrafa longe, no meio da água, sem o mínimo de vergonha ou senso. Após olhares de reprovação, a concentração volta à avenida, à espera pelo ônibus que não vem enquanto a água sobe cada vez mais. O olhar fixo no caminho parece até que trará o enorme veículo mais rápido só com a força do pensamento.
Ôpa, e não é que pode funcionar mesmo? Satisfeitos, vamos embora. Mas a história não acaba aqui. Nunca acaba. Ainda falta torcer pelo menor congestionamento possível e, com sorte, não pegar nenhum trecho alagado. E amanhã? Ah, é janeiro, amanhã começa tudo de novo.

Se pudesse ajudar…

Pensei, pensei, refleti, pensei mais e tudo isso não sai da minha cabeça. Tantas imagens, informações, uma enxurrada de desastres e lágrimas. A vida humana como ela é: frágil, pequena, sujeita, impremeditável. 
A morte tão de perto. A natureza, bela, vira um monstro e o sentimento de solidariedade, a vontade de ajudar faz com que a sensação de pequenez e inutilidade fique maior ainda. Nada a se fazer de concreto. Alimentos, roupas, dinheiro. É só o que é possível de tão longe e vidas, tantas vidas perdidas não voltam com um ‘sinto muito’, nem que este venha do papa. O conforto de familiares e amigos é uma missão impossível.
Problemas. Uma vez, discuti bravamente sobre a dimensão de problemas pessoais que, tão pequenos aos olhos, doíam tanto no coração. Um sofrimento bobo, quase em vão. Problema é chegar ao fundo do poço, detonado por lama, pedras e água, muita água.
 Três da manhã. Tão difícil de se safar. O barulhinho da chuva, propício para o sono pesado, gostoso, fatal. O maior desastre natural. Não escolheu raça, classe social e muito menos turistas ou nativos. Arrasou tudo que ousasse estar no caminho.
Cenário de guerra. Tentativas de salvamento. A escolha entre a própria vida ou o bichinho de estimação. Pesar. Casa? Que casa? Irreconhecível. Não dá para saber o que era sala, cozinha, banheiro. A cor das paredes, agora inexistentes, pintadas de marrom. Assim como carros, lojas, hospitais, igrejas, bens materiais que não valem uma vida, mas precisam de uma, quase inteira, para serem conquistados. Perdeu-se tudo: moradia, roupas, alimentos. Ironicamente, não há mais nem água. Perdeu-se todos: pai, mãe, filhos, parentes, amigos, vizinhos. E a mãe natureza não dá trégua, não mostra carinho, perde o olhar fraternal. Parece raivosa, irada, impiedosa. Chega a ficar forte a dúvida sobre a existência de Deus, mas, mesmo assim, ora-se, pedindo pela alma daqueles que se foram e pela vida daqueles que ficaram. 
Em momentos como esse, palavras não são suficientes. Então, em meio à desolação e tristeza, esperança e fé na superação. É só o que sobrou.

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