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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

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Apenas uma nota

Paraquedas

O vento bate forte nesse óculos gigante sem grau. Tão forte que não enxergo nada. Nada.
As roupas, que não são minhas, pesam demais. Carregam uma história um tamanho maior que o meu. Doem os ombros e seguram as pernas, que não sabem muito bem se conseguem dar um passo para frente.
É alto demais. Perigoso demais. Arriscado demais. Loucura, talvez. Tanta gente avisou. Pediu para ter cuidado. Mas mesmo assim eu tô aqui.
Agarrada na porta. Meus dedos doem. Paralisados, seguram as bordas como se disso dependesse a vida. E depende mesmo.
Atrás de mim uma voz ecoa “três, dois, um”. Eu berro. O grito esvazia o pulmão. Tá difícil respirar.
Tenho medo. Muito medo. Cair de cara no chão. Ah não, não depois de me proteger tanto.
Tenho medo. Muito medo. Mas não foi pra isso que vim até aqui?
Sinto duas mãos nas minhas costas. Empurram. Grosseiras. Incentivam. Elas têm razão.
Mas eu berro ainda mais. E choro. Desespero.
Mais uma rajada de vento. Fecho os olhos. Medo. Abro os olhos. Medo. Vejo uma luz. Vejo o céu. Vejo o sol. Quentinho.
Parece que agora pesa menos. Ensaio meio passo pro lado. Pra frente ainda não dá.
Vejo as nuvens. Vejo pássaros. Vejo vida lá fora. Consigo puxar o ar. Respiro meio trêmula.
Solto uma das mãos. Os dedos ainda estão doloridos. Não se movem. O pé direito consegue se soltar das amarras.
Não vejo o chão.
Abro os braços. Vai, me aconselham.
E eu vou.
Eu pulo.
Queda livre.
Se a cordinha não funcionar, se essa merda não abrir… o tombo será mortal.
Mas o caminho é tão lindo.
Liberdade.
Sinto o vento bater no rosto. Óculos, roupas, uma história que não é minha. Não pesam mais.
Sorrio. Embasbacada.
Vejo a vida acontecer ali. Em mim.
Me jogo mais.
Me liberto mais.
Eu quero mais.
Te espero no chão. Me encontra?
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posologia

dá um tremelique. começa bem no centro do corpo, meio que na espinha, meio que no estômago.
aí desce pras pernas, fazendo cair. fazendo tombar. perdendo o equilíbrio como quando criança que vivia engessada. que vivia ralada, vivia.
o tremor sobe pra cabeça, balança os ombros, faz chacoalhar o pulmão.
dá uma agonia dentro da gente.
deita. levanta. deita. levanta. deita de novo.
tenta dormir. não dá. não rola. não descansa.
parece que tem um duende aqui dentro. pisoteia tudo. remexe tudo. como roupa recém-lavada, que, encharcada, precisa torcer.
e bate um martelo. enfia facas. machuca.
pega o celular. conversa. amigos.
mais amigos. outros amigos. mais uma opinião.
não adianta nada não.
é só meu. é só seu. é tão nosso que não cabe num caminhão.
só eu entendo.
clamo pelo universo. céu. lua. astros.
tento homeopatia. muito lerdo.
maconha. muito pouco.
maracugina. de um a dois comprimidos revestidos, três vezes ao dia, depois de cada principal refeição.
sistema nervoso não responde. o tremelique só caminha pelo corpo. pode ser grave, vai saber.
não tem bula. meu remédio é você.

Labirinto

não precisa nem tocar. nem relar. nem precisa chegar perto. é só aparecer. em sonho. em texto. em pensamento.
é só lembrar. é imaginar. mesmo no ambiente menos propício. mesmo quando o assunto é tenso. mesmo quando dá sono. dá tédio. tem graça. porque tá dentro. porque tá junto. e não precisa de muito mais.
o desejo é físico. a conexão, de alma.
o toque inevitável. a íris que se encontra. e não larga nunca mais.
a memória é fotográfica. o cheiro tá guardado nas narinas. texturas. peles. cores.
as palavras não machucam mais. abrem o peito. vomitam o que é bom, o que é ruim.
aliviam.
resolvem.
confundem.
há paz. onde há entendimento. e a gente se ajuda. só nós por nós.
erramos. arrependemos até. mas nos rendemos. a tudo isso que explode. vulcão.
apertem os cintos. primeira fila da montanha russa. agarra com força. se perde no looping.
descida. subida. eternas. deliciosamente maluca. frio. na barriga. na espinha.
vontades.
medos.
dedos que não disfarçam.
e duas mãos sempre juntas. tentando achar a saída.

tá nublando a nuvem dos olhos.
o cinza é clarinho e o sol ainda se vê ao longe.
o mundo é muito grande. e tem tanto problema maior do que o meu.
injusto é deixar a inocência deitada na cama, vítima de um vírus qualquer. raro.
injusto é ver a cria murchinha, tristonha, sem poder brincar.
injusto é poder uma história contar. e achar que tudo é capaz de mudar.
mas poder sair pro cotidiano enquanto com muita doença o paciente ainda tem que lidar.
injusto é conseguir todas as contas pagar e ainda assim só saber reclamar.
a vida é tão linda. mas muda num segundo e o melhor mesmo era se o meteoro contra a terra resolvesse se chocar.
assim, não tinha mais o que chorar.
e enquanto eu me ponho aqui, a trabalhar.
uma família lá fora acaba de desabar.
dá vontade de desistir, é muito difícil continuar.
mas é exatamente agora que não dá pra arregar.
se você tem a sorte de sua saúde desfrutar.
vai pra casa, não precisa duas vezes pensar.
corre pros seus queridos, agarra mesmo, sem explicar.
enquanto o coração ainda tá bantendo, por favor, bora aproveitar.
deixa de besteira, faça tudo valer a pena.
não deixe nunca de abraçar.

RG

Demorei muito pra me encontrar. E essa não é uma música do Fábio Jr. Quem me conhece, mas, assim, conhece mesmo. Mesmo, mesmo… sabe que eu tenho uma lista de nomes imensa pros meus filhos que ainda hão de vir.
Spoiler: todos eles nascerão com 87 anos, culpa de nomes lindos e controversos nas rodas de bar como Adelaide, Carmela, Mercedes, Theodoro, Aquiles e Nicolau (e esse é só o começo). Veja bem, eu jamais registraria meus filhos com nomes esdrúxulos, que podem vir a ser sinônimo de sofrimento, mas gosto de nomes poderosos, inesquecíveis. E, sinto muito, eles vão ter que lidar com isso.
Meus pais me deram nome de cantora de MPB. E se a Ana Carolina já não fosse famosa e maravilhosa como é, eu provavelmente faria proveito desta composição que teve como inspiração uma menininha linda que minha mãe conheceu antes mesmo de engravidar.
Na escola, tinha Caio Zen, Marina Tommasi, Marcela Leal, Natália Gilia, Camila Soler. Na faculdade, Thaísa Gazelli, Cecília Leite, Mayara Castro. Até na família tem nome que pega. Tem Giovanna Vecchi. Meu deus, quem é que esquece uma Giovanna Vecchi.
E eu passei a ter um nome só. Ana, pros amigos. Carol, na família. Tem gente que me chama de Ana Carol, mas não tem nada que eu odeie mais nesse mundo.
No trabalho, virou Ana Pereira. Só porque eu acho que as pessoas, mesmo com mais de 30 anos na cara, não teriam maturidade pra encarar um e-mail ana.pinto@qualquercoisa.com. O sobrenome do papai, então, coitado, fica lá, de escanteio.
Não tenho nada contra nomes comuns, vale ressaltar, muito menos o Pereira, que, na minha família, veio pro Brasil num navio recheado de coragem e histórias tão lindas e que, por mim, fora herdado do homem mais generoso e buena onda que conheci, o vô Athayde (sim, pessoal, com “th” e “y”, fazendo o favor).
Mas alguma coisa ainda tava faltando. Um pouco de personalidade, de diferente, de mim. Tentei usar o nome da minha avó. Flore. Tão bonito. Veio lá da Itália. Vem de flores, talvez. Mas não pegou, não. Não é muito internacional e minhas ambições, meu quiridinho, são altas.
Foi aí que surgiu o limão. Não é o bairro, não é a fruta. Mas me foi entregue numa cesta, bem de bandeja, colhido nos alpes, por uma leitora: “ai, seus textos são tão ácidos. mas, ao mesmo tempo, prazerosos. é tipo chupar limão”. Juntou essa fofura de declaração com uma personagem magnífica de uma série magnífica que já se acabou e eu fui, aos poucos, virando eu.
Com o nome, veio a minha certeza. Foram-se os medos, vieram os textos, os trabalhos e milhões de oportunidades.
Do registro do nome, em cartório aqui dentro, na alma, na mente, nasceu a menina escritora. Ana Pereira fez jornalismo porque só servia pra ler e escrever. Ana Lèmon veio ao mundo para a escrita e é escrevendo que vai crescer.
Meu nome agora é Zé Pequeno, porra. E, pode esperar, 2017 tá chegando e você ainda vai ouvir falar de(sse novo) mim.
Depois de toda essa arrogância, me despeço. E se meus pequenos Fredrich, Odette, Consuelo, Loretta e Apollo quiserem mudar seus nomes pra Maria, Pedro, Joana e Lucas Silva e Silva, eu vou achar a coisa mais linda desse mundo. O que importa é se encontrar, se amar, se deixar ser o que é e viver, viver muito, que a vida é um limão azedo, delicioso e despretensioso, que vem na bandeja ou nasce no pé.

Tóxico

Tem gente que consegue extrair o pior de dentro de nós.
Funciona como veneno poderoso. Nem precisa ser ingerido. Basta chegar perto, basta exalar aquele aroma seco que machuca os pulmões no respirar mais profundo. O veneno – que, cruel, não mata – age como droga. Nocivo que é, ele muda a forma de lidarmos com o mundo. Não relaxa, como a cannabis; não estimula, como cocaína. Mas vicia, como crack.
Os olhos não ficam vermelhos e as pupilas seguem dilatadas com parcimônia, como deveriam ser, para enxergarmos melhor. Mas a cegueira está ali. Munida de uma certa raiva, de um certo bode, de uma certa maldade, essa substância ao mesmo tempo cinza e incolor, ao mesmo tempo melequenta e gasosa, inebria, distorcendo todos os valores, toda a moral construída pelos percalços do caminho. Pelo superar das adversidades.
Os atos horrendos, antes inimagináveis, são cometidos sem pudor.
O usuário, nem sempre ciente de que fora afetado – perceba aqui o perigo da droga – se transforma no monstro que sempre condenou e evitou. É ele, agora, a criatura que merece distância. Que merece temor.
As consequências são, geralmente, catastróficas e, o pior, não é só para ele. A potência dessa substância influencia todo um entorno, gerando uma reação em cadeia. Um tufão invencível, um chupacabra imortal.
E a ressaca, como é de lei natural, sempre vem. Os principais sintomas, além da óbvia dor de cabeça, é o arrependimento. O desespero, quando se percebe o que foi feito, acomete até os indivíduos mais insensíveis. Pode haver choro e é provável que sejam tentados métodos drásticos para reverter qualquer mal-estar. Mas esse esforço quase sempre é em vão.
Mesmo abatido, a chance de ser acometido pelos mesmo processos outra vez é, infelizmente, muito alta.
A quebra do ciclo vicioso requer muito autocontrole e, mais importante, força de vontade. Meditação talvez ajude. Mas é pior que dieta, que tentar parar de fumar. É impossível também denunciar às autoridades – o tóxico é legal nos termos jurídicos.
São poucos os que se tornam imunes. A recaída costuma ser recorrente. Os sobreviventes deveriam criar uma nova forma de sociedade, marginal.
O triste é saber que são poucos – muito, muito poucos – os que poderiam participar dessa paz, integrar essa elevada comunidade.
É preciso desintoxicar. Só com o bem se mata o mal. Mas esse já vive, respira, se alimenta, dorme, descansa, desperta, cresce e explode bem dentro de nós.

Família ê

Teve uma época, quando adolescente, que todos os grupinhos usavam muito a famosa “amigos são a família que a gente pode escolher”. Era legenda de foto em fotolog, frase frequente nas cartinhas trocadas na aula de física e homenagem sempre presente em cartões de aniversário.
Os amigos eram a parte fanfarrona da nossa grande família. Os escolhidos a dedo representavam os irmãos, com quem a gente troca confidências, confia nossa vida e mesmo quando briga muito, continua amando. E parece que ama cada vez mais. Os amigos do peito eram tipo os primos, com quem a gente tomou o primeiro porre e, atrás da moita, fumou o primeiro maço de cigarro. Era com eles que a gente rachava o táxi pras baladas proibidas e eram eles que nos acobertavam nas mentiras cabeludas pros pais. Não à toa, suas mães eram chamadas de tia.
O laço emocional era mais forte que qualquer ligação sanguínea. E por eles a gente daria o sangue sem pensar duas vezes.
Na vida adulta, os amigos ainda são a família que a gente escolheu. Mas o que significa família quando se tem contas pra pagar e um nariz próprio pra cuidar? Família é oferecer um colchão no chão do quarto “por quanto tempo você precisar”. É ligar pra saber como foi a entrevista de emprego e ajudar na listinha de afazeres antes da grande mudança. Falando em mudança, família é ajudar a achar apartamento, empacotar, doar umas cadeiras velhas e ajudar a pintar as paredes de um tom pêssego de gosto duvidoso, julgando sempre com muito amor. É perguntar, na boa mesmo, quão grande é a dívida. E fazer de tudo pra poder emprestar uns trocados. Família é segurar na mão na hora de abrir o resultado do exame que dá medo e ajudar a pensar nos prós e contras de se casar agora, tão cedo.
Família é exigir que avise quando chegar em casa e, só pra garantir, pedir uma foto do motorista do Uber.
Família é acordar de madrugada preocupada. É mandar mensagem de manhã só pra checar se tá tudo bem e gelar ao receber uma ligação quando se sabe que as coisas vão mal.
Família é ler o livro, ver a peça, estar presente no lançamento do filme independente, mesmo ainda tonto da anestesia de retirada do siso.
É sair de casa depois da meia-noite de uma terça-feira chuvosa, de pijamas, pra conversar um pouquinho. É dar caronas que não têm nada a ver com o seu caminho, oferecer o ombro, os braços, as pernas, os braços e até a cabeça, quando fica difícil pensar sozinho. É fazer aquilo que você mais odeia, com um sorriso enorme estampado no rosto. É ficar bravo junto, com quem nunca fez nenhum mal pra gente, é ter ciúme e passar por cima dele pra dar os melhores conselhos. É estar sempre ali, não importa se física, emocional ou virtualmente.
Família é torcer e se emocionar com o sucesso do outro. É vibrar a cada conquista. É se preocupar que nem mãe, dar sermão que nem pai, mimar que nem tia, pegar no pé que nem irmão, gargalhar que nem primo, morrer de orgulho que nem avô e amar, amar muito, que nem amigo.

De Ferro

A gente fica forte. Ri, sorri, gargalha até. A gente acha bonito o céu, o formato das nuvens, o novo corte de cabelo, o sapato que o orçamento apertou pra poder encaixar. A gente se encanta com o ronronar do gato, o novo episódio da série, as possibilidades de futuro próspero. A gente fica até sem escrever um tempão – sinal já calejado de que vai tudo bem, tudo bom. A gente chega a sentir até medo se aparece alguma dor esquisita. E sai correndo do trabalho às quatro da tarde de uma quarta-feira cheia de coisa acumulada pra fazer. É que a gente não quer morrer. Ainda tem tanto mundo, tanta coisa pra ver.

E aí tá tudo bem, tudo bom. O exame não acusa nada. A gente respira aliviado e fuma até um cigarro de novo, pra comemorar o pulmão que parece que ainda aguenta. E a gente ri, sorri e gargalha de novo. E se esforça pra ser uma pessoa melhor. A gente decora alguns mantras fofinhos e tibetanos pra poder neutralizar a mente quando encara aquele tipo de gente que não deveria, mas tira a gente do sério. Só por respirar. E a gente medita internamente, pra devolver pro mundo aquela paz e aquele amor que a gente sente quando sente o vento frio na janela aberta do carro, bem de noitezinha, cantando junto com o rádio a canção que a gente ama só porque sabe de cor.

E tem hora que a vida da gente parece um filme independente que deu certo. A gente acredita numa provável indicação ao Oscar e suspira ao perceber que, mesmo que não chegue em Hollywood, tá tudo muito bem, tá tudo muito bom.

Mas aí numa tarde ociosa de quarta-feira sem trabalho acumulado, a gente escolhe a música errada na playlist. E a gente se sente aquele nada, que não vai conseguir mudar o mundo – nem o seu próprio. E a gente só enxerga nuvem carregada onde antes tinha cor. E não chora, mas também não ri, não sorri, não gargalha. E a gente enfia a cara na barriga do gato, pra ver se um afago melhora um pouco o caminho. Mas sai de casa com um arranhão no nariz e com a certeza de que de super não temos nada. Nós somos apenas humanos e eu acho que, às vezes, isso é uma sorte danada.

Zena

Eu me lembro direitinho do dia em que te conheci. Você era tão pequeno e frágil. Eu estava tão bêbada, era quase como uma iniciação. Para mim e para você. Nós dois estávamos entrando para aquela família muito louca. Me lembro vagamente que havia morcegos e eu tinha medo, mas estava me divertindo muito. Tinha amigos, muitos amigos e a sensação de que algo muito incrível começara. Acho que já mencionei que eu estava muito, muito bêbada. Todo mundo se arrastava para chegar até os quartos e aí eu vi você. Tão pequeno, tão frágil e tão sorridente, tão brincalhão. De alguma forma, que eu jamais saberei explicar (não sem uma bebedeira) eu soube que, naquele momento, você era meu. Minha responsabilidade. Eu não sentia meus braços ou minhas pernas. Certamente tentei falar. Chamar sua mãe. Pedir alguma ajuda. Mas é claro que minha língua também não funcionava como devia. E eu tomei a decisão que hoje me faz chorar como criança. Peguei você no colo, mesmo sendo de humanas, fiz contas quase físicas – para evitar nossa fatal queda na piscina sem resgate provável, considerando o nível etílico das outras pessoas presentes – mirei e fui. Fomos. A memória é meio embaçada, sabe? Então às vezes nos vejo correndo pelo pequeno caminho de pedras entre o que parecia ser a mata e o mar e às vezes nos vejo caminhando, tranquilos e focados.
Só o que sei é que você estava acordado. E feliz. E babando. Sim, você babava muito. E quando chegamos, sãos e salvos, ao nosso destino, me lembro que você dormiu e que eu passei boa parte da noite observando seu respirar alto. Sem medo de ser feliz. Tão pequenininho. E você foi crescendo e ficando lindão e, sorte a minha, nessa época eu frequentava muito a sua casa. E te comprei presentes e roupinhas e passeei muito com você no parque. E fui acordada muitas manhãs por sua vontade de brincar e brincar e comer e ser ainda mais feliz. Meu Deus, você foi muito feliz. E tinha muita gente, acredite em mim, que visitava sua mãe só para poder te ver. Você foi muito lindo e simpático e amoroso. Mesmo quando estava doente. E eu sabia que esse dia chegaria. E eu sabia que eu choraria e que sua mãe choraria muito mais do que aquele dia em que o Corinthians perdeu, lembra? e que a gente teve que ficar consolando a garota sem saber muito bem o que falar. Mas hoje eu sei o que falar. Você teve a melhor família que esse mundo poderia te dar e a sua família teve o mais maravilhoso, caótico e fantástico cão que qualquer família poderia ter. Esse foi um encontro divino, daqueles que ficam guardados para sempre na história. Daqueles que fazem a vida valer a pena. Até o fim.
Zena2
Maizena, foi um prazer ser sua madrinha. Sua felicidade vai ficar para sempre guardada no meu coração. Vá brincar, garoto, vá brincar!
Zena1

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