Nota: texto originalmente escrito para o blog Isanamente Sã
 

Orestes, tô com um sério problema. Um problema enorme e horrível.

Eu tô feliz!

É, Orestes, uma vez eu perguntei para você quando eu iria rir de novo, lembra?
E você me respondeu que eu daria risada quando algo fosse engraçado de verdade.

Eu não sei o que aconteceu, Orestes, mas acho que o mundo virou um grande stand up comedy. To achando graça de tudo, até das piadas infames do pessoal de T.I. E você sabe como são ruins as piadas de T.I, né?
Enfim…tô bem humorada, com vontade de sair, de me arrumar, até de ir à academia, Orestes!

Tá, eu sei, isso pode não parecer um problema para você.
Mas eu vivo de escrita, Orestes. E, me diz, do que é que se escreve quando se está feliz?

Quando eu fico triste, Orestes, parece mágica, algo toma conta de mim e as palavras, pontos, parágrafos, saem praticamente sozinhos, vão se formando na minha cabeça sem eu nem poder controlar.
É incrível, Orestes, e produtivo.

Agora, vai lá checar meus arquivos. Páginas e páginas de word vazias, sem uma mísera vírgula mal colocada. Nada.
E agora, Orestes? E agora?

Arruma um drama aí pra mim!
Sei lá, qualquer coisa, você não conhece nenhum cara problemático? Do tipo que vai me iludir, me conquistar e me jogar fora?
Sei lá, um cara interessantíssimo e encantador, só que casado?

Ah, orestes, para com isso, vai? drama na minha vida significa ainda mais terapia e dinheiro no seu bolso, meu amigo!
Ou você acha que eu não sei que você tira proveito da tristeza dos outros?


Ah, orestes, que quer o meu bem o quê? pensa que me engana? eu sei é muito bem que temos os mesmíssimos interesses, Orestes.

Tá, hoje acabou meu tempo. Mas semana que vem tem mais, hein? Vou lá, lidar com a minha súbita felicidade, mas vai pensando aí, se tiver alguma indicação de problema, me liga, tá? Beijo, Orestes, até mais.