fênix

Todo mundo dorme lá dentro. Um amontoado de corpos etílicos, cansados de extravasar. Aqui fora sou eu. Como só eu conheço. Peço licença pra lua, que gentilmente ilumina um pedaço de papel amassado de quem não consegue despejar o desespero em pequenas teclas de mensagens rápidas. Precisa do borrar da caneta. Não me importo com … Mais fênix

Raiva

Realmente me deu vontade de chorar. Não fosse meu orgulho, todo o lamento preso com aperto no meio do peito rolaria, salgado, bochechas abaixo. Acho que seria daquele tipo de choro de criança cansada, que faz bico e barulho e perde até o fôlego, tamanha insatisfação. Queria ser criança, talvez. Deixar o mar desaguar sem … Mais Raiva

Eu quero é botar meu bloco na rua

Em versos desprovidos de rima, banhados de rítmica melodia, me recuso a passar pelo mesmo infortúnio que me trouxe até aqui. Tantos parágrafos tingidos de sangue de duas esferas cansadas de chorar. É vomitar verde quando já não se tem nada no estômago. Arranhar-se com pequenos cacos de um relógio estraçalhado, erroneamente culpado pela espera … Mais Eu quero é botar meu bloco na rua

Felicidade sim

Reconheci a tristeza no olhar baixo, sorriso pesado e caminhar lento. Reconheci-a na lerdeza do teclar, no penteado desajeitado, na falta de se arrumar. Na falta de inspiração, ah, ela estava lá. Não tinha ânsia de mudar, acordar, comemorar. Até o paladar essa maldita sabe como afetar. Então não tinha jantar, não tinha almoçar, mal … Mais Felicidade sim

Desastre natural

Você foi terremoto, seguido de tsunami, seguido de furacão – que era para ter certeza que havia despedaçado toda minha cidade de vidro. Não deu tempo de evacuar prédios, casas, artérias e corações. Não deu tempo de nada. Correu quem tinha esperança, mas caiu na primeira pedra, primeiro telefonema, primeiro rosto que parecesse com o … Mais Desastre natural