Eu Android, você iPhone

Te conheci numa dessas festas em que eu não deveria estar. Conversando com gente desinteressante e bebendo um drink cujo nome jamais saberei pronunciar, mas que tinha um sabor meio assim, de amora, que me fez repensar todo álcool de pouca ou nenhuma qualidade que passara por meu sistema digestivo nos últimos 24 anos. Fingi … Continue lendo Eu Android, você iPhone

Feriado

Meu deus, tô bêba. Mas num é um bêba bão, gracioso. Acho que vô vomitá. Seu moço, manera aí nas curva, que tô sentindo uma coisa aqui na garganta. E não tem gosto bom não. Bebi o quê, jesus? Uma paloma para lembra os tiempos mexicanos; uma jarra de batida de coco pelas memórias marítimas … Continue lendo Feriado

De mentirinha

Sento para fazer xixi e finjo ser entrevistada por Marília Gabriela (a versão do GNT). Uso tailler estilo Sandra Bullock em “A Proposta”, estou gata. Cabelos soltos e cacheados. Morena. Bem maquiada, porém suave. Iluminada. Linda. Falo com graciosidade e de maneira extremamente natural. Divago sobre meus grandes feitos, documentários, matérias, prêmios e sobre o … Continue lendo De mentirinha

Fundidos

*texto baseado em lembranças sonadas de uma vida inventada e no romance Febre, de Renato Essenfelder - cuidado, leitores: pode conter spoilers ........ Talvez ele tenha se matado, pensei. Talvez fosse eu, naqueles tempos, tivesse me matado também. Senti vergonha, porém. Confesso que também cheguei aos mais de quarenta graus, que perambulei cabisbaixa, moribunda. Também … Continue lendo Fundidos

Escena

Agarrou afoita e cuidadosamente as mãos enrugadas pela velhice. Envolveu as costas curvadas como quem ajeita o travesseiro antes de dormir: tarefa simples, porém essencial para o descansar pleno. Apertou um lábio contra o outro como quem segura a fala, controlando a emoção. Amor, dor, saudade e solidão. Fez tudo sem desgrudar da mão. No … Continue lendo Escena

Mal entendido

A culpa poderia ser sua se estivesse presente naquela hora e naquele lugar. A culpa seria do padeiro, do mesário, motorista ou carteiro. Se lá estivesse o maestro, o músico, o professor ou o leiteiro. Ah, seria certeiro. O banhista, o maratonista, o bancário ou o banqueiro. Tão faceiro. Sim, teria desculpa, mas mais venceria … Continue lendo Mal entendido