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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

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Raiva

Realmente me deu vontade de chorar. Não fosse meu orgulho, todo o lamento preso com aperto no meio do peito rolaria, salgado, bochechas abaixo. Acho que seria daquele tipo de choro de criança cansada, que faz bico e barulho e perde até o fôlego, tamanha insatisfação.
Queria ser criança, talvez. Deixar o mar desaguar sem medo de julgamentos. Esperar a mamãe acalmar, acalentar, ninar. Queria dormir. Na mesa de trabalho mesmo. Arrumar um casulo, montar uma cabana.
Queria que a vida desse um tempo. Que desse umas férias. Coisa pouca. Que pudesse trazer apenas alegrias. Por alguns dias apenas, que fosse. Que encantasse ao fazer-me enxergar o mundo como pequenina que fui e ainda sou e sempre serei.
Talvez o problema, enfim, seja eu. Talvez seja mimada demais, talvez esteja cansada demais.
E para segurar, como é que faz?

Beca, capelo e canudo

Vamos nos desesperar, achando que nos falta capacidade. Chegaremos a questionar escolhas e caminhos que fizemos. E vamos temer o futuro (ou a falta dele). Vamos nos conhecer cada vez mais e mais profundamente e, em determinado momento, nos assustaremos ao descobrir que somos muito diferentes do que imaginávamos. E mudaremos ainda mais. Nos tornaremos irreconhecíveis ao espelho e teremos que nos apresentar a nos mesmos novamente.

Teremos maiores responsabilidades e decisões importantes até demais em nossas mãos. Aprenderemos a dizer ‘não’ e a entender quando também formos negados. Seremos obrigados a engolir enormes sapos e a levar desaforo para casa. Ao mesmo tempo, precisaremos enfrentar sem postergar. Agiremos como adultos que, enfim, somos e, às vezes, acharemos ridiculas nossas atitudes.

Teremos insônia e a cruel companhia de preocupações junto a nossa cabeça recostada no travesseiro. Pensaremos estar sozinhos ao nos depararmos com problemas sem ter ninguém a quem recorrer. Vez ou outra nos sentiremos medrosos e inexperientes. Mas isso vai passar. E vai recomeçar a cada novo ciclo. Este é só o primeiro. E em cada novo desafio, temor e insegurança nos lembraremos desse dia de enorme conquista. A primeira de muitas.

Vamos nos reconhecer na foto de formatura. Lembraremos dos bares, fofocas, conversas e trabalhos. E morreremos de rir recordando brigas bobas e noites em claro fazendo TGI! Acreditem, teremos saudades e talvez até vertamos uma lágrima. Recordaremos nitidamente de aulas e professores. E a eles seremos gratos. Eternamente. Enxergaremos que conseguimos e seguiremos, mais tranquilos.

Não sei qual caminho cada um vai seguir. Nem todos exerceremos a profissão. Alguns descobrirão que nasceram para a arquitetura, economia, astronomia e até medicina. Não seremos melhores amigos de todos com quem convivemos nestes quatro anos. Alguns só reencontraremos em distantes encontros de dez anos de formados. De outros ouviremos o prestigiado nome e nos orgulharemos. Afinal, independente de diferentes rumos que tomarmos, nossas vidas estarão sempre ligadas por essa etapa tão crucial que passamos e vencemos juntos.

O que fica são inúmeras lembranças que juntas, boas e ruins, fazem de nós muito do que somos hoje. Jornalistas. Formados. Um ciclo se fecha, dando espaço para a abertura de muitos outros. Muito sucesso, felicidade, satisfação e grandes conquitas a todos. A vida, meus queridos, começa agora!

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