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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

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Família ê

Teve uma época, quando adolescente, que todos os grupinhos usavam muito a famosa “amigos são a família que a gente pode escolher”. Era legenda de foto em fotolog, frase frequente nas cartinhas trocadas na aula de física e homenagem sempre presente em cartões de aniversário.
Os amigos eram a parte fanfarrona da nossa grande família. Os escolhidos a dedo representavam os irmãos, com quem a gente troca confidências, confia nossa vida e mesmo quando briga muito, continua amando. E parece que ama cada vez mais. Os amigos do peito eram tipo os primos, com quem a gente tomou o primeiro porre e, atrás da moita, fumou o primeiro maço de cigarro. Era com eles que a gente rachava o táxi pras baladas proibidas e eram eles que nos acobertavam nas mentiras cabeludas pros pais. Não à toa, suas mães eram chamadas de tia.
O laço emocional era mais forte que qualquer ligação sanguínea. E por eles a gente daria o sangue sem pensar duas vezes.
Na vida adulta, os amigos ainda são a família que a gente escolheu. Mas o que significa família quando se tem contas pra pagar e um nariz próprio pra cuidar? Família é oferecer um colchão no chão do quarto “por quanto tempo você precisar”. É ligar pra saber como foi a entrevista de emprego e ajudar na listinha de afazeres antes da grande mudança. Falando em mudança, família é ajudar a achar apartamento, empacotar, doar umas cadeiras velhas e ajudar a pintar as paredes de um tom pêssego de gosto duvidoso, julgando sempre com muito amor. É perguntar, na boa mesmo, quão grande é a dívida. E fazer de tudo pra poder emprestar uns trocados. Família é segurar na mão na hora de abrir o resultado do exame que dá medo e ajudar a pensar nos prós e contras de se casar agora, tão cedo.
Família é exigir que avise quando chegar em casa e, só pra garantir, pedir uma foto do motorista do Uber.
Família é acordar de madrugada preocupada. É mandar mensagem de manhã só pra checar se tá tudo bem e gelar ao receber uma ligação quando se sabe que as coisas vão mal.
Família é ler o livro, ver a peça, estar presente no lançamento do filme independente, mesmo ainda tonto da anestesia de retirada do siso.
É sair de casa depois da meia-noite de uma terça-feira chuvosa, de pijamas, pra conversar um pouquinho. É dar caronas que não têm nada a ver com o seu caminho, oferecer o ombro, os braços, as pernas, os braços e até a cabeça, quando fica difícil pensar sozinho. É fazer aquilo que você mais odeia, com um sorriso enorme estampado no rosto. É ficar bravo junto, com quem nunca fez nenhum mal pra gente, é ter ciúme e passar por cima dele pra dar os melhores conselhos. É estar sempre ali, não importa se física, emocional ou virtualmente.
Família é torcer e se emocionar com o sucesso do outro. É vibrar a cada conquista. É se preocupar que nem mãe, dar sermão que nem pai, mimar que nem tia, pegar no pé que nem irmão, gargalhar que nem primo, morrer de orgulho que nem avô e amar, amar muito, que nem amigo.
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Copiloto

Tem gente que parece que entra na vida da gente só para fazer bem. Parece que aparece só para nos fazer acreditar que podemos fazer mais e melhor e ser mais e melhor. É para esse tipo de gente que a gente arruma tempo na rotina atribulada, empesteada de nadas que a gente faz para tentar se sentir mais e melhor. Sem sucesso algum. E a gente ri e a gente chora e a gente se dá as mãos, gratos por esse tipo de contato verdadeiro. De carne e osso e sem importar maquiagens e sapatos de salto alto que a gente usa, mesmo com dor nos pés, mesmo com alergia nos olhos, para tentar parecer com aqueles que achamos ser mais e melhores do que nós, mas que nem sempre o são. E a gente ri e chora e chora de rir das desgraças da vida. Que doem, mas fazem parte. E a gente se apoia sem julgar pensamentos nefastos ou ideias ruins que, quando trabalhadas, podem sim se tornar melhores e mais plausíveis. Porque nenhuma árvore começa sua jornada lambendo o céu. É comendo terra que a semente germina. E a gente sai de uma conversa dessa regada a vinho que nem precisa ser bom, porque a companhia compensa. E a gente sorri, sozinho mesmo. Sabendo que com esse tipo de gente na vida, sozinhos mesmo nunca estaremos. E a gente vai dormir sabendo que amanhã vai ser um dia bom, que a gente já é um pouquinho mais e um pouquinho melhor do que era cinco horas atrás. Esse tipo de gente devia ter nome. Esse tipo de gente se chama amigo. Quem tem amigo nem precisa fazer muito, não. Só de estar ali já faz de si muito mais e muito, muito melhor.

O primeiro dia do resto da minha vida

O primeiro dia do resto da minha vida escritora foi quando sentei à frente do computador e escrevi sozinha minha primeira história.
Não deu tempo de esperar a inspiração chegar. Algo tinha que ser entregue. Então entreguei.
O primeiro dia do resto de minha vida escritora tinha eu e uma página de word em branco, referências abertas em abas do safari, um copo de água ao meu lado e a Niña tentando subir no meu colo.
Não me lembro se tinha chuva ou se tinha sol. Mas tinha uma vontade imensa de mergulhar pelas palavras conhecidas em um formato tão novo. Tinha muita insegurança e um medo danado de não ser boa o suficiente. Mas tinha também a certeza de que seria o melhor que eu poderia ser. E fui.
O primeiro dia do resto de minha vida profissional não teve glamour. Porque era só o começo. Mas teve vinho, teve pizza e teve conversa que durou mais de sete horas, mas pareceu passar apenas em duas.
No primeiro dia do resto da minha vida escritora, dei pulinhos empolgados e assustados com o que estava por vir. Neste primeiro emocionante dia, segurei com firmeza a mão da dupla perfeita, remei e descansei. Encarei os olhos do desconhecido e murmurei a palavra confiança.
Este também foi o dia em que minha fé na humanidade foi restabelecida – ainda tem gente legal nesse mundo, sabia?
E neste primeiro dia do começo da minha vida eu sorri enquanto subia a Augusta cumprimentando seus habitantes raros e magníficos.
O primeiro dia do resto da minha vida escritora teve eu e teve a certeza de que eu poderia ser um alguém igualzinho àquele dia. Maravilhoso.

Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu

Luiz morreu aos 54 anos.
Refeições gordurosas regadas a cerveja, vinho e uísque da melhor qualidade provavelmente destruíram seu fígado.
Mesmo sabendo de sua condição genética – a mãe de Luiz morreu de cirrose sem nunca ter bebido uma gota de álcool -, comeu e bebeu nos melhores restaurantes.
Experimentou todos os sabores. Japonês, indiano, apimentado mexicano, dendê baiano, testículo de jacaré e incontáveis frutas direto do pé.
Até os 50, chegava em casa depois das 4h da manhã. Dava-se ao luxo de encontrar amigos de anos pelo menos duas vezes por semana. Era sauna, era bar, era jantar. Era qualquer desculpa para festejar, farrear, desopilar.
Luiz tinha uma legião de amigos. Uns fiéis, outros nem tanto. Emprestava dinheiro, confortáveis ombros e conselhos capazes de mudar vidas.
Luiz era filósofo. Era químico, alquimista. Era matemático e professor. Era influente, poderoso. Era funcionário dele mesmo, diretor.
Assistiu a todos os bons filmes, acompanhou todas as boas séries e leu todas as notícias que as poucas horas de seus poucos dias deram conta de absorver.
Era inteligente. Trabalhador. Ambicioso e sonhador.
Mesmo pobre, viajava de primeira classe. Conheceu o mundo. China, Emirados Árabes, Estados Unidos, Canadá. Fez nevar Paris. Saboreou todas as cervejas da Bélgica. Passou frio na Itália. Brasil. Espanha. Inglaterra. Alemanha. Cozumel. Chile. Argentina. Paraguai e Uruguai.
Luiz tinha camaradas em todos os idiomas.
Suas cinzas serão jogadas em límpidas e turvas águas em um cruzeiro pelo mar caribenho.
Luiz viveu como quem tinha nas palmas das mãos o mundo inteiro.
Quando internado, arrumou briga com as enfermeiras. Queria trabalhar. Reclamava da comida sem gosto. Queria bife com batata frita.
Mesmo assim, tirou foto com seu colega de quarto, aquele do leito ao lado. E prometeu que sairiam dessa juntos.
Luiz morreu.
Um grupo de mais de duzentas pessoas ao seu velório compareceu.

That’s Thata

she tells me her stories like it was a movie
she listens to mine
she lights up the room with her smile
she lives like a rockstar
always shining bright in her private sky
she rules my world and I know it’s for good
she earned my trust with no need for prove
she changes my path as she is my destiny
and I’m not afraid to hit the bottom anymore
we make it through life as we were canoeing (she paddles – while I rest -, then I paddle – while she rests -, then she paddles…non stop)
she’s the strongest one, though almost no one knows it
even if the floor is crumbling down she’s always alive
she’s a friend and a sister
and I know it’s for a lifetime
I’ll hold her heart like it was my own
she’s my person
and I love her so

Tudo que vai

Gosto de ser a pessoa que vai. Aquela cuja única tarefa dolorosa é anunciar sua partida. Que pode, sim, verter sinceras lágrimas, rapidamente enxutas pela ânsia do novo, pela magia do desconhecido.
A pessoa que vai pode até olhar para trás para acenar com o já peso da saudade prematura. Pode caminhar meio tortamente, acompanhada do medo do incerto. Mas a felicidade da conquista empurra sempre para frente, mesmo tropeçando, mesmo em zigue-zague.
A pessoa que vai, vai mesmo. E descobre que o mundo é bem maior do que aquele cotidiano gostosinho, porém comum e de já fácil manejo – por experiência – onde costumava-se viver, acomodado.
A pessoa que vai, vai descobrir-se a si mesmo também. Passará dificuldades e sofrerá novas pressões, mas erguer-se-á pegando impulso a cada pedra jogada no caminho. A pessoa que vai entende que pode ir e irá ainda mais longe a cada nova oportunidade.
A pessoa que vai leva a bagagem de toda a experiência anterior. Com ela, sente-se mais segura e mais capaz. E o é mesmo.
A pessoa que fica, fica com a sensação de vazio.
Fica meio triste, embora orgulhosa do triunfo do outro.
Fica meio perdida, porém. A cada piada interna contada, cada risada compartilhada ou aquele olhar típico de tarde de segunda-feira irritante em que saber-se não sozinho acalenta e faz acalmar. Busca-se o riso, o bufar, o olhar. E nada, não se encontra nada – é como tentar apoiar o cotovelo em uma base de mesa solta, desparafusada. Não machuca, mas não suporta, não aporta, não funciona.
A pessoa que vai sempre diz que vai sentir falta. E vai mesmo. Mas é diferente.
A pessoa que vai leva tudo com ela e ainda pode voltar vez ou outra para relembrar bons momentos.
A pessoa que fica, fica também com os móveis – vazios – e com aquele buraco no peito.
O dia a dia cessa, como é de sua responsabilidade fazê-lo, a dor mais aguda, mas o rastro do que se foi fica sempre ali, mesmo substituído – por melhor ou pior que isso seja.
Ser a pessoa que fica implica em lidar com uma perda que não é irreparável – visto que a pessoa que vai (ainda bem!) vai feliz e vai com vida, afinal -, mas que atormenta como se fosse.
Ser a pessoa que vai e saber que vai fazer muita falta é uma boa sensação, porém.
E é com essa certeza que a parte sobrevivente da mais recente parceria Superpoderosa deve ir. Levando consigo todo o conhecimento gastronômico adquirido semanalmente, além, é claro, do profissionalismo invejável e a cara de jornalista que não deixa dúvidas de sua competência.
Quando conheci Isabel pensei tratar-se da tão comum raça de comunicólogos arrogantes e sabichões. Mas toda essa pompa era apenas timidez.
Bel é a menina da risada gostosa, das piadas inteligentes e do texto leve e claro.
Bel é a organizadora do site e aquela que está sempre pronta para segurar o tranco quando a colega aqui perde as estribeiras.
Bel não é mais sisuda, mas segue sendo séria, passando credibilidade com sua pose de quem sabe muito bem o que está fazendo – porque sabe mesmo.
Bel é a pessoa que vai e vai levando junto a ela toda minha admiração, gratidão e carinho.
Eu, como pessoa que fico, fico com o exemplo de pessoa e profissional e fico feliz, com mais uma amizade que a vida me deu de presente. Fico com o coração na mão e com a certeza de que ainda escutarei seu nome em referências gastronômicas por aí.
Fico com a certeza de que vou encontrá-la em mais ainda muitas e muitas tardes, de lazer em vez de trabalho e com a mesma parceria de hoje.
Eu fico e você vai.
E vá mesmo, mas volte sempre. E não saia nunca de minha vida.

Vou morrer de saudades

mas vá embora, sim, que eu trato de te encontrar no caminho.

—–

Passei uma vida inteira, entre idas e vindas, sem saber exatamente qual era meu sentimento por ela.
Somos muito diferentes, não há como negar. 
Eu sou mais discreta, contida e paciente.  Sou previsível, não me afeto muito por críticas ou elogios – apesar de considerá-los, bem lá no fundo. 
Não faço amizade com tanta facilidade,  não faço questão de ser simpática e fico muito na minha, muitas vezes sem ser notada.
Ludmilla não. Ludmilla é um furacão. Chora inconsolavelmente na frente do injusto vice-prefeito, ri alto em momentos impróprios e pelo jeitão estabanado, escrachado e autêntico, é conhecida por todos, pelo bem e pelo mal.
Intensa, esquentada, apaixonada. Pelo trabalho, pela vida e pelo Victor.

Ludmilla veste a camisa. Dos amigos e da profissão. É jornalista assumida e orgulhosa. Acredita que pode mudar o mundo e conseguir o celular direto do Obama. E consegue mesmo, tamanha teimosia.
Trabalhar a seu lado me rendeu momentos de desespero (ela fala muito alto e bate no meu joelho operado) e alegria (ela me acalma quando fico nervosa e confia em mim para ler parágrafos – cada vez melhores e mais leves).
Ser sua amiga me abriu caminhos para uma vida muito mais solta, mais confiante e mais feliz.
Lud sempre me pediu que escrevesse um texto sobre ela e nunca consegui. (não conta para ninguém, mas a pressão me travou. afinal, seria horrível não atingir suas expectativas – principalmente depois de tantos elogios, tão exagerados).
Com base em sua admiração genuína e cativante – que faz sorrir em dias difíceis – pode me sobrar, de fato, talento, é claro. Mas sempre me faltarão palavras para definir e descrever o fenômeno Lud.
São borboletas no estômago, dançar no meio da rua, ouvir música no volume máximo, chorar assistindo ao voo dos passarinhos e se emocionar com um simples abraço.
Nunca entenderei porque o destino se encarregou de insistir tanto em nosso cruzar de caminhos.  Mas a ele serei eternamente grata.
Hoje Ludmilla desbrava uma nova trilha, cheia de novidades e desafios e emoções.
É até ridículo querer desejar boa sorte, porque Lud pavimenta sua própria estrada, agarra a oportunidade e não deixa a pauta, a vaga, o prefeito e muito menos o presidente escapar.
Lud almejou, mereceu e conquistou um novo reinado. Lá vai ela arrasar em outras terras, atazanar a vida de milhares de outros jornalistas e fontes, que vão amá-la e odiá-la, vendo-a subir cada vez mais alto, mais brilhante, mais Lud.
E eu vou estar aqui, sempre por perto, sempre observando e sempre, sempre sem saber definir o sentimento que tenho por ela – até o fatídico dia de fechamento em que buscarei à minha esquerda um motivo para não perder as estribeiras e deparar-me-ei com uma cadeira preenchida por quem não conhece as piadas internas, complexas explicações com um só olhar e ajuda mútua que faz toda a diferença, vazia. Só aí saberei que é tristeza, saudade, melancolia, tudo junto e misturado com muito orgulho, torcida e alegria.
E aos que vão ocupar meu posto diário de colega, confidente, amiga e revisora, lhes alerto: esta será uma jornada emocionante, uma montanha russa indescritível, incomparável, memorável e perturbadora.
Mas que (vai por mim!) vale e vale muito a pena, por ser, ao final, apenas muito encantadora.

A um novo estranho, velho conhecido

Quem diria que um dia esta criatura que hoje brilha de felicidade e conquista a cada dia seu espaço, um dia foi “meu feto”. Tenho acompanhado sua trajetória assim, meio de longe. Sabendo da sua vida por facebook, tentando entender as fotos do instagram, torcendo em cada curtida, cada comentário, cada atualização de status. E tô bem feliz por você, por como você se tornou a mulher que é hoje. Mas ainda não me conformo com o fato de não conseguir reconhecer onde foi que a gente se perdeu. Tomamos rumos e escolas e religiões diferentes. Sim. Talvez até valores mudaram sem que a gente percebesse. Mas ainda me lembro dos grandes planos que tínhamos para nós – naquele tempo em que eu pensava em ser psicóloga e você já sabia muito bem que iria para a area do direito. Íamos ao cinema, cafés, jantares em restaurante japonês. Não tenho nem como contar tantas e quantas vezes li para você, e só para você, cartas que tinha medo de mandar, para amores que sabia que jamais iriam funcionar. Sabia também dos seus amores, sonhos, desejos. Quando foi mesmo que meu celular parou de tocar seu nome? Quando deixei de te convidar para seja lá o que fosse? Quando deixei de aceitar convites?
Sobrevivemos a muitos tropeços. Nossa amizade passou por buracos que caminhonete nenhuma passaria sem furar pneus. Talvez seja isso, preocupei-me com a lataria e esqueci de checar o motor. Em alguma curva dessa vida – vezes cruel – perdemos a engrenagem. Já não funciona nem a primeira marcha. Que lástima. De verdade, que pena. Mas ainda tenho o retrovisor com histórias e cartas e risadas e segredos que nunca vão sair da memória. E como quem namora, apenas pela vitrine, um veículo que já não pode comprar, estou sempre de olho nas suas novidades, só para ter a certeza de que, mesmo sem mim, caminha com tranquilidade. Enfim, tudo isso só para dizer que quero mesmo mesmo mesmo que seja feliz e que sinto muita muita muita saudade.

Pé no freio

A verdade é que fiquei assustada pelo rumo que as coisas estavam tomando.

Diferentemente das outras tantas vezes – de sofrimento – em que pensei em me afastar de você, o afeto fazia-se cada vez mais presente e mais intenso. A cumplicidade era de dar em veja em muitos casais casados ou juntados. (Assumidos. Reais.) A amizade fazia-se valer em todo encontro – fosse ele recheado de café, cerveja, vinho, salgados, doces ou carinhos.

Declarações, desejo, vontade de estar junto. Esfarrapadas desculpas para encontros secretos. Escancarados no sorriso aberto. Incontrolável.

E percebi que era tudo perfeito. Tudo lindo. Fazia bem. Quando junto.

Mas continuava tenso, doído, incerto, irreal, injusto. Fazia mal. Quando separado.

Tudo errado. E eu poderia insistir no erro pelo resto da vida. E este era o meu maior medo.

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