Raiva

Realmente me deu vontade de chorar. Não fosse meu orgulho, todo o lamento preso com aperto no meio do peito rolaria, salgado, bochechas abaixo. Acho que seria daquele tipo de choro de criança cansada, que faz bico e barulho e perde até o fôlego, tamanha insatisfação. Queria ser criança, talvez. Deixar o mar desaguar sem … Continue lendo Raiva

Terapia de bar

- Não podíamos estar mais felizes por sentir tamanha dor! - O quê? – espantou-se ao assoar o nariz molhado por incessantes lágrimas, o mais gay dos amigos gays devia estar louco – você só pode estar brincando, Salomão! - Já parou para pensar o quão sortudos somos por ter uma história tão bela a ponto … Continue lendo Terapia de bar

Falha na fé

Buscamos respostas na astrologia, cartas de tarô, I-ching, leitura de mãos e borra de café. Fazemos complexas perguntas a pêndulos de cristal, aceitamos conselhos malucos, anotamos receitas de simpatias e acatamos recomendações de bons pais de santo. É nessa hora que o (antes) inabalável ceticismo cede o lugar para as mais diferentes crenças. Passamos a acreditar em destino, … Continue lendo Falha na fé

Segunda feira

O celular não vibra, o tempo não passa, a vontade não chega. O ânimo dorme, o sono se esconde, a pressão baixa. O trabalho não rende, a leitura não vinga, a programação só piora. O jornal não chegou, o rádio chiou, a internet pifou. A nuvem escondeu, o sol apareceu, na previsão não tem trégua. … Continue lendo Segunda feira

Ressaca

A gente vai ficar na fossa, vai chorar um pouco, deixando escorrer o corpo e o rímel pelo box, debaixo do chuveiro. Mas tudo isso, eventualmente, vai passar.E vai deixar de existir também, em algum momento, a vontade de insistir e tentar mais uma vez. O toque do celular não mais iniciará um ataque cardíaco … Continue lendo Ressaca

Éramos 15

Amizade é como amor. Tem que haver fidelidade, confiança, cumplicidade, carinho e tesão. Quando nos encontrávamos, todas essas características se faziam valer. E como bons amigos que éramos, chorávamos toda dor de amores incapazes de cumprir com os mesmos pré-requisitos. Éramos 15. Um número extremamente redondo e completo, por mais que ímpar. E descobrimos, com … Continue lendo Éramos 15

Back to black

Menti. Não precisava me conhecer/reconhecer no mundo novo, na vida nova. Não entrei em crise pelo término de um ciclo vezes longo, vezes curto e maior parte do tempo agradável e encantador. Não me preocupava com o futuro. Sempre soube me virar muito bem. Me conheço e reconheço no mundo novo e na vida nova … Continue lendo Back to black