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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

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coração

Boas Novas

ouviu notícia boa e deu vontade de chorar.
deixou, então,  a água toda rolar.
não é todo dia que o cérebro deixa o coração mandar.

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Prova de amor

Sem saber em quem colocar a culpa, oscilo entre “a vida é muito louca” e “somos todos muito covardes”.
Talvez as duas afirmações sejam verdadeiras.
Ou nenhuma das alternativas acima.
Não é como vestibular, de todas as maneiras.
A vida seria mais fácil se fosse em formato de teste.
Questões dissertativas são muito subjetivas. Não tem gabarito exato.
Indique-me, ó grande professor existencial, se A, B, C ou D.
Sempre C de Cristo, sempre A de Amor ou contas de proporção: se assinalei mais vezes A, C e D, está na hora de tentar um pouco a sorte com o B.
E no final, era sempre tudo ou nada.
É certo ou é errado. Não tem depende, não tem talvez, não tem “vamos conversar”.
É preto no branco. É sem graça. Mas funciona.
Sentimento não. Sentimento é emoção. É intersecção de ás e bês e cês e dês, é o alfabeto todo de ponta cabeça e de cima para baixo e de baixo para cima por diversas vezes seguidas e repetidas e então apagadas para logo serem reescritas.
E não dá para julgar não, assim como não se evita. Só quem vive sente e só quem sente sabe.
A resposta está lá, meu querido. Mas não importa o gabarito.
Dois e dois pode ser cinco. Não tem resultado definido.
É reprovado, é repetido. Mas é amado e destemido.
Depois sentará de novo, na mesma cadeira, mesma lição na aula de recuperação, que é para ver se aprende algo esse tolo coração.

Descoberta

Eu, sinceramente, achei que tinha superado.
Mas seguia comendo chocolate.
Demais.
Evitava o espelho.
Mudei o cabelo.
Quebrei o joelho.
E precisei me apaixonar perdidamente por um personagem de televisão.
Para entender-te.
Me entender.
Demorei, sabia?
Para sacar o envolvimento.
Tirar do espetáculo alguma lição.
Ficção.
No travesseiro toma o rumo que a gente quiser.
Mão e língua.
Coração.
E a gravação no replay. e replay. e replay.
Pausa.
Click.
Estava lá.
A arte imitando a vida.
A minha vida.
E a vida…
é mais que arte.
Sem roteiro.
Nem pausa.
Nem rec.
Nem play.
Botões quebrados.
E lá vamos nós.
Desapaixona.
Entende.
Sorri.
Joga fora o velho cookie.
Solta o cabelo.
Arruma o joelho.
Reinstala o espelho.
Reabre o coração.

Oportunidades

quando fecha-se uma porta, abre-se uma janela.
fecha um lado da persiana, passa a chave no trinco, espia abrindo a cortina. para. observa. pensa. mede consequências. confunde-se. ouve o coração. espelha-se na razão. define prioridades.
escolhe. escancara a janela, encosta a porta. anuncia.
seja o que deus quiser.

Constante frustração nossa

E quem diria que, na mais inesperada esquina da vida, encontraria um amigo de frustrações.
As questões, tão diferentes, se fazem iguais – por pertencerem ao coração.
O que queremos, não podemos ter. Coisas da vida, merdas do cotidiano.
E nas rápidas muitas horas de goles gelados de cerveja descendo áspera pela garganta em uma tarde de muito calor, disparo e ouço conselhos desesperados.
Confusos, confiamos segredos no ombro amigo e tomamos a decisão de dar um enorme passo – aquele, nem sempre favorito, que consideramos “certo” (seja lá o que isso quer dizer).
Deixamos o tempo passar. Apoiamos para não cair, torcendo para que o próximo bar seja regado a menos drama e melhores novidades.

Quando o certo é o errado e o errado é o certo

E aí que, depois de tanta (des)ilusão,  resolvi deixar minha rebeldia amorosa de lado e abri a porteira do coração (olha que lindo!) pro certinho, bonitinho, aquele que tem futuro, a quem minha mãe amaria chamar de genro, leal, fiel. O certo.

É, ‘cuspi pra cima e caiu bem no meio da testa’, como diria minha astuta avó. Pois é, finalmente me envolvia com o temido ‘bonzinho’.

E não é que me surpreendi? Parei com aquele pré-conceito bobo. Era tudo muito legal, tudo muito certo. Não tinha que me preocupar com aquelas típicas coisas, como ‘com quem está’, ‘aonde está’ ou ‘por que não ligou’. Não me dava nem a chance de indagar ou ter pequenos surtos. Afinal, estava sempre comigo e quando não era assim, dava satisfações que, pela primeira vez, nem eram tão requisitadas.

Tinha mensagem de boa noite, de bom dia. Até (acreditem se quiserem) mensagem de bom almoço e bom café. Tinha passeio de final de semana, tinha carinho explícito em público. Não tinha preocupações. Não me deixava errar, tudo sempre nos eixos, tudo sempre correto.

Legal, né? Não, um porre. Gostoso, né? Não, um tédio.

‘Calma, Ana, se acalma, se aguenta’, cantava quase como um mantra em posição de yoga enquanto me martirizava por não pensar nele quando ia dormir, por não ser a primeira imagem que me vinha a cabeça quando acordava, por não tê-lo me atormentando em sonhos e por não dedicar comentários maldosos, amorosos ou sofridos a ele em redes sociais. Definitivamente, não era dele a ligação tão esperada em datas comemorativas.

Tá errado, tá muito errado. Mais errado com o certo do que quando era com o errado. Era bom quando era o errado. Era vivo. Era certo.

O certo em detrimento do bom ou o bom em detrimento do certo? Ai, tá tudo errado, coração burro do caramba.

Tem que querer estar perto, tem que querer pegar, tem que valer a pena sofrer. Tem que querer arriscar e se fazer de idiota. Tem que acreditar em mentiras, tem que cegar, tem que pulsar. Não tem jeito, tem que vibrar, esperançosa, junto com o toque do celular. E tem, tem que esperar, ansiosa, pelo sms que nunca chega, que pode nunca chegar. Tem que se apaixonar.

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