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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

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drama

Fundidos

*texto baseado em lembranças sonadas de uma vida inventada e no romance Febre, de Renato Essenfelder – cuidado, leitores: pode conter spoilers

……..

Talvez ele tenha se matado, pensei.
Talvez fosse eu, naqueles tempos, tivesse me matado também.
Senti vergonha, porém.
Confesso que também cheguei aos mais de quarenta graus, que perambulei cabisbaixa, moribunda.
Também repassei, como fosse um filme, todos os detalhes, pequenos diálogos, grandes mentiras.
Homem suporta menos a dor.
Não fosse fêmea, provável também implorasse.
Implorei, talvez.
Tentei, tentei.
Marquei encontros em lugares nossos. Praças.
Usei de um tudo de desculpa.
Fui embora chutando pedrinhas. Descalça.
Tentei odiar também, assim como ele, igualzinho.
A profissão. A arrogância. O sabe tudo. Porque sabia mesmo. A inteligência.
Mesmo usando eu palavras difíceis também. Também soberba.
Maldisse com todo desdém que cabe apenas àqueles profundamente apaixonados.
Amar é isso. É odiar até as melhores qualidades.
Por saudade.
E foi isso que fez.
Que quase fiz. Que fazemos todos, oras bolas.
Porque o amor não é apenas bom quando correspondido, não, veja bem.
A dor de amor é um cutuco na alma, é febre que pulsa sem motivo algum. São veias que queimam a qualquer indício de passo, pensamento ou respirar.
Sofrimento são palavras bonitas descritas com raiva de afeto. Desilusão é vida. São sentidos aguçados, agudos, momento único paradoxal aos pequenos e raros segundos de plena felicidade, quando nunca se é mais intenso.
Não deslizar aos prantos no box do banheiro, não debulhar-se em posição fetal, não sujar de rímel o travesseiro, meu amigo, é apenas sobreviver à mediocridade do cotidiano.
As pílulas, então, pequenas bolinhas de salvação, seriam talvez a maneira de seguir remoendo, revivendo, delirando. A única maneira de seguir filosofando. Com maestria.
O jeito de continuar escrevendo.
Sofrer por amor é dominar um tema.
Mas entregar-se pode ser loucura.
Loucura é comprar anel, é optar por ficar.
Nunca seja a que ama mais, aconselha minha avó.
Mas somos teimosos. E buscamos a dor.
Sabíamos que o não seria não.
Perguntamos pelos motivos errados, preocupados com a ínfima possibilidade de um sim.
Errôneo.
E caímos porque é só assim que funcionamos.
Perdidos. Metades. Feridos. Dramáticos.
Em busca de cura que leve nome próprio, que mascare a ressaca com mais um porre.
Que é para levantar do fundo do poço. E começar tudo de novo.

 

I’m back, bitch

Achei que minha fase de páginas de Word preenchidas por vírgulas, confissões, interrogações, reticências, pontos finais e divagações havia chegado ao fim.

Cigarro, uísque, vinho. Mesma praça, mesmo carro, mesmo choro.
Nada.
Novos pensamentos, músicas, livros, filmes e peças. Outras táticas.
Nada.
Nem uma mísera linha.
Fez-se branco na tela do computador. A caneta não tocava as páginas do moleskine nem para fazer rabiscos cotidianos.

Horas sentada ao relento, cabelos em coque molhados pelo sereno, imaginando histórias no horizonte de estrelas. Clichê.
Nada.
Nem um esboço do que poderia vir a ser, quem sabe, um pequeno texto.
Nem uma nota.

A matrícula no curso do renomado mestre só fez desfalcar na carteira. Só fez abrir os olhos para novos estilos de escrita.
De outros.
Minha página continuava vazia.
Parágrafos de nada.

Nem uma ideia, nem uma reclamação. Sem pitadas de sarcasmo ou raiva ou drama. Ou qualquer emoção.

É o fim da vida do blog. Da minha vida. De descobrir a mágica que se faz sentido no unir de palavras.

Acabou. Conformei.

Mas o destino, esse brincalhão, assistiu à minha acomodação e enviou uma nova inquietação, um novo conflito e a já esquecida inspiração.

Parei o trabalho, a leitura e a academia. Afoguei-me nas letras do teclado, perdi-me entre as folhas do caderno e esqueci-me de comer por quase três dias.

Mas quem precisa de comida quando o drama alimenta a escrita?

Não era o fim.
Que nada.
Era só uma fase perturbada.

Não há noite longa que não encontre o dia

Dormiu o melhor dos sonhos. Caiu nos braços de Morfeu e este, desta vez, não era gostoso, não tinha os braços fortes ou o dorso torneado. Era mais como colo de vó ou edredom quentinho e macio numa noite de rigoroso inverno.

Ao deitar-se já não tinha mais nada em seus pensamentos.

Conversara consigo mesma de maneira rígida e decisiva. Dera bronca, xingara, chorara, sorrira, esclarecera. Entendera. Era a primeira vez que fazia terapia assim: só ela, uma taça de vinho chileno, um maço de Marlboro light intocado e a lua.

A noite era clara, o vento cessara e as estrelas pareciam chorar. O sereno era espesso, quase como uma garoa, porém sutil. O frio era acolhedor e dramático. Ela era dramática. Mas soube usar a razão. Decidira. Ficar sozinha sempre lhe agradava muito. Não por muito tempo. Afinal, começava a fazer falta uma segunda voz, um toque, uma opinião. Mas naquela noite não. A solidão lhe bastou. A TV incomodou e a escuridão não deu medo. Estava segura. Sozinha. Pensante. Falante. Quem a visse a taxaria maluca, falando com as paredes. Como pode?

A conversa era tão intensa, tão verdadeira, que a casa se desfez. Não havia mais nada materializado, só o vinho, apenas os gestos relaxados. Contara a si mesma segredos que nem ela sabia. Revelara o inconsciente, vomitara o sentimento em palavras. Nem sempre era belo ou fazia sentido. Mas simbolizava, tranquilizava, amparava. O começo foi difícil. Pensamentos difíceis demais de decifrar. Aí então veio o desespero, seguido de choro e consequente depressão. Depois veio o alívio, o respirar, o enxergar.

Quando deu-se por satisfeita, trocou o jeans pelo pijama velho. O cérebro recusava-se a pensar. Até aquele momento não sabia que era possível desligar-se assim. A sensação deveria ser de vazio, mas, estranhamente, não o era. Alguns podiam até chamar de meditação. Relaxou, fechou os olhos. (Ou já estavam fechados?) Dormiu o sono dos deuses. Morfeu era acolhedor e confortável. Desejou nunca mais acordar.

Mas o dia seguinte certamente seria mais fácil agora que era mesmo a pessoa que mais lhe conhecia.

Primeiro de abril

Depois de certas decisões tomadas, repensamos nossos caminhos e nossas jornadas.

Da vontade de contar um outro drama – que não fosse o meu -, comecei um novo projeto.

Conheça, então, as histórias de Pussy Jane e Lonely Lilly no Insanamente sã.

Mas calma. O ‘Escrevo’ vai continuar escrevendo. Porque juro que eu até tento, mas meu drama não acaba nunca. 

 

Constante frustração nossa

E quem diria que, na mais inesperada esquina da vida, encontraria um amigo de frustrações.
As questões, tão diferentes, se fazem iguais – por pertencerem ao coração.
O que queremos, não podemos ter. Coisas da vida, merdas do cotidiano.
E nas rápidas muitas horas de goles gelados de cerveja descendo áspera pela garganta em uma tarde de muito calor, disparo e ouço conselhos desesperados.
Confusos, confiamos segredos no ombro amigo e tomamos a decisão de dar um enorme passo – aquele, nem sempre favorito, que consideramos “certo” (seja lá o que isso quer dizer).
Deixamos o tempo passar. Apoiamos para não cair, torcendo para que o próximo bar seja regado a menos drama e melhores novidades.

Baseado em fatos reais

E aí percebemos que a arte imita mais a vida do que a vida imita a arte. Infelizmente, nem todos os absurdos aos quais assistimos refere-se a uma ficção.

Descobrimos que o ator coadjuvante – aquele que tem que passar pelas merdas todas protagonizadas pelo ator principal –, não dorme por conta dos berros desesperados, desprovidos de qualquer motivo plausível aparente. Noites desperdiçadas pelo desespero de não entender o porquê.

O ignorado figurante, levanta no dia seguinte com a cara lavada, cansada. O pouco de maquiagem, para olheiras, esconde uma trama digna de filme.

Enquanto  o público deixa a sala escura para ir ao bar discutir sobre os absurdos abordados de maneira pesada no roteiro, o ator trabalha, sorri, aprende e conta piada. Vive uma vida que não é a sua, vive uma vida de filme – do protagonista que queria ser.

E ninguém desconfia. O espectador só vê aquilo que o roteiro estipula, deixa. Mas quem é diretor de seu próprio filme, nem sempre consegue esconder o making off.

E aquele que desfruta apenas do cinema, já não sabe se sabe lidar quando passa a assistir a fragmentos da vida real – sem pipoca, refrigerante ou qualquer possibilidade de deixar o espetáculo para ir ao banheiro.

Assustado, dorme assistindo a leves e graciosos desenhos, torcendo para que a história contada seja só mais um filme. Rezando, mesmo que sem fé, para que o drama não acabe em tragédia.

 

Bobagem

É vontade de dormir no sofá e sonhar com você. É nostalgia de ter tanta coisa para fazer e só conseguir concentrar em tua barba. (suspiro!)

Não é amor, porém, é só saudade. É só desculpa para resgatar a inspiração, é só motivo inventado para escrever, é só o escritor que habita em mim à procura de mais um drama. Mesma trama. É insistência, ilusão, teimosia. É minha escolha. É rebeldia. Coisa de criança e desejo de mulher. É quero porque quero. E só. É falso. E eu sei.

Pode vir, 2012

Quem acompanha o blog sabe as merdas e maravilhas que 2011 me proporcionou. Pensei em escrever uma retrospectiva que contasse que, neste ano, alcancei o céu e o inferno por diversas vezes.

Mas pensei que não faria sentido retomar as perdas dolorosas ou os momentos fantásticos que tive com meus amigos. Acho desnecessário revelar aqui o apoio e compreensão que tive de minha família quando a correria do dia a dia, teimava em se transformar em mau humor matinal (e, não raras vezes, noturno).

Creio não ser muito pertinente também anunciar o já sabido e repetido fato de que o amor – assim como a astróloga havia (mais ou menos) previsto – esteve presente em minha vida, mas de uma maneira torta, estranha e, por vezes, errada.

Porém, se quer saber, não colocaria, nem se pudesse, mais razão nas decisões que tomei usando apenas o coração. Nem ao menos mudaria vírgula alguma em textos dramáticos e confissões aqui escancaradas. Valeu a pena, para o bem e para o mal.

O ano teve seus altos e baixos, mas isso não é privilégio meu e muito menos novidade. Bom ou ruim, chegou ao seu fim.

Graças a essa montanha russa de acontecimentos e emoções, 2011 foi um ano de muitos posts. Ainda bem!

Agradeço então a todos que acompanharam a trajetória narrada e, principalmente, àqueles que – direta ou indiretamente – me serviram de inspiração.

Que venha 2012 (com ou sem superstição), trazendo na bagagem – ainda vazia – novas personagens e muitas histórias para contar.

Feliz ano novo!

Autoajuda

Se quiser me entender, não desconsidere textos passados, por mais que o novo os contradiga. Oscilo. É surpreendente a capacidade que tenho de ir de um extremo a outro em uma única virada de página.

Minhas estratégias textuais já não existem – são baseadas em ironia, lugar-comum e drama, muito drama. A filosofia utilizada por mim será sempre a de boteco. Minhas entrelinhas bóiam em um copo de cerveja, uísque ou vinho – tudo depende da gravidade da situação a ser descrita. A máquina de escrever é sempre defumada pelo cigarro constantemente aceso no cinzeiro de vidro, por mais que imaginário.

Sou egoísta, mas não confesso. “Você tem que pensar no que quer transmitir ao leitor”, o renomado mestre aconselha – na melhor das intenções. Apenas balanço a cabeça, fingindo concordar. É a maneira de não revelar a vergonha de dizer que já não me importo com aquele que vai ler.

As palavras expostas a quem quiser, servem-me de economia por conta da fortuna não gasta em diferentes linhas da psicologia. A página em branco no word é chamada terapia.

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