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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

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Tá na hora de você amar de novo

Deu abraço de saudade. Daquele que não quer largar, que confunde o respirar, que atormenta da melhor maneira que se possa imaginar.
Do casaco se fez conforto, dos olhos rolaram lágrimas, no cheiro voltaram lembranças.
Cabelos, barbas, braços, corpos que se tornavam apenas um elemento perdido, flutuante no meio da calçada – passagem de apressados vazios de sentimento.
O soltar foi esquisito. Doído. Real. Estava ali, mas já não mais existia. Era como venerar um defunto. Corpo palidamente gelado, lábios roxos de frio, juntas duras de morte, sangue quente latino em terras estrangeiras, coração pulsando nas trevas da alma.
No riso sem graça, a confissão de que ainda mexe. Na conversa madura, o entendimento do porque não deu certo. Na justiça das palavras, a libertação.
O melhor encontro de mãos por debaixo da mesa, o melhor bater de pés nervosos contra o chão, a melhor sensação de paixão.
Levantaram e resolveram repetir o exercício do abraço. Sorriram e prometeram, um dia, outro encontro marcar.
Dessa vez, eterno.
Foi sereno.
Mas era um sonho.
E acordou.

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Não é você. Sou eu.

Olheiras.
Insônia de escrita.
Páginas em branco.
Enlouqueço, mudo o cabelo, o guarda-roupa, a pele.
Mantenho os amigos. Sobrevivo.
Dói.
Abstinência do formar frases coerentes. Ou incoerentes. Ou qualquer coisa que não seja uma resposta de whatsapp escrita às pressas, informando que o encontro não está mais de pé.
Desculpas.
Aniversários de avós que já morreram. Compromissos inventados com o meu lençol, imprevistos com a minha varanda, um novo caso com o meu sofá.
“Preciso lavar meu pijama favorito”, dá vontade de dizer.
“Vou me mandar mesmo”, penso.
Melhor mesmo não alimentar ou criar ilusão.
Concluo.
I’m not ready yet.

Pé no freio

A verdade é que fiquei assustada pelo rumo que as coisas estavam tomando.

Diferentemente das outras tantas vezes – de sofrimento – em que pensei em me afastar de você, o afeto fazia-se cada vez mais presente e mais intenso. A cumplicidade era de dar em veja em muitos casais casados ou juntados. (Assumidos. Reais.) A amizade fazia-se valer em todo encontro – fosse ele recheado de café, cerveja, vinho, salgados, doces ou carinhos.

Declarações, desejo, vontade de estar junto. Esfarrapadas desculpas para encontros secretos. Escancarados no sorriso aberto. Incontrolável.

E percebi que era tudo perfeito. Tudo lindo. Fazia bem. Quando junto.

Mas continuava tenso, doído, incerto, irreal, injusto. Fazia mal. Quando separado.

Tudo errado. E eu poderia insistir no erro pelo resto da vida. E este era o meu maior medo.

Aquele encontro que não vai acontecer

Até que meu organismo mandou bem ao acordar meio chocho, meio murcho, meio dolorido. Uma sensação de enjôo, algo entre a ressaca e alguma comida que não caiu bem. Dá um desânimo, vontade de ficar dormindo, assistir a sessão da tarde, voltar ao tempo de colégio em que a única preocupação era a prova de matemática daqui a duas semanas e se a mãe ia deixaria ir ao shopping com as amigas.
Meu organismo acertou no dia de acordar quase doente. Odeio quando ele acerta. Agora tenho uma desculpa mais do que plausível para ir do trabalho direto pro ônibus e do ônibus direto para a cama, sem desviar do caminho.
Ao invés de escutar aquilo tudo que você tem para me dizer, vou me concentrar no penúltimo capítulo da novela que não assisto e no lugar de umas boas três doses de uísque, me deliciarei com uma canja de doente que só minha mãe sabe fazer.
Não me jogarei na pista de dança, mas certamente me remexerei nos meus lençóis, de um lado para o outro, até conseguir dormir. Escuro por escuro, é só apagar a luz do quarto e estamos quites. Tudo isso sem precisar me preocupar com roupa – aquela camisola recém lavada já ta bom demais -, cabelo – qualquer piranha dá conta do rotineiro coque mal feito da noite – e muito menos maquiagem, essa vai ceder o lugar para o bom e velho creme hidratante de sempre. A bolsa de água quente, se esta for necessária, será o contato mais próximo que terei com o chamego, calor humano e sensação de aconchego. As vozes da televisão como companhia e na hora de arrumar o despertador fica claro que o dia acabou mesmo, que o final é esse. Agora só me resta dormir, torcendo para não sonhar, e esperar a próxima oportunidade para ter, quem sabe, uma dor de ouvido daquelas.

Drinking a new beginning

And after 3 glasses of scotch she confesses: “Sometimes I become a really annoying human being. I get stressed and I need to be alone to listen to my iPod, read my books and do some writing. When those times come, you won’t be allowed to be next to me. Well, maybe ‘allowed’ is not the right word, but… Believe me, I get so fucking rough you wouldn’t even recognize me! I’m sorry to tell you all those terrible things right away, but I guess it’s just wrong letting you figure it out on your own in a moment that I’ll be probably freaking out. So…I’ll understand if you decide not to see me anymore”.

She didn’t have to apologize or explain anything, he already knew. And he had decided to meet her again, over and over, even before she started talking. “Crazy Guy”, she concluded.

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