Caro mesmo é sofrer

Tem gente que me pergunta por que eu não volto a escrever textos de cortar os pulsos, de sangrar a alma, de fazer revirar estômago e chorar o peito cansado de respirar sem aparelhos. Não escrevo mais sobre dor de amor que atinge a gente como facada no meio das costas numa tarde de terça-feira … Continue lendo Caro mesmo é sofrer

Destilado do papel

Gosto de sofrer um pouco. Tristeza que destila, destila, fermenta e vira inspiração. Se transforma em palavras que abraçam, afagam o coração. Frases e pontos e vírgulas que se alinham sem o cérebro conseguir acompanhar. Sento no escuro, no macio do colchão. No colo, o peso da máquina de fazer expor, sair, distrair e desabafar. … Continue lendo Destilado do papel

Férias forçadas

Precisei de uma pausa. Os motivos já nem sei. Já passou, já respirei. Mas meu tempo eu respeitei. Até tive vontade de escrever, sabe? Mas quando um provável primeiro parágrafo acabava não fazendo menor sentido, tudo bem. As palavras não saíam. Sem problemas. O sentimento não fluía. Ok. Deixava o teclado, a caneta, as letrinhas … Continue lendo Férias forçadas

Não é você. Sou eu.

Olheiras. Insônia de escrita. Páginas em branco. Enlouqueço, mudo o cabelo, o guarda-roupa, a pele. Mantenho os amigos. Sobrevivo. Dói. Abstinência do formar frases coerentes. Ou incoerentes. Ou qualquer coisa que não seja uma resposta de whatsapp escrita às pressas, informando que o encontro não está mais de pé. Desculpas. Aniversários de avós que já … Continue lendo Não é você. Sou eu.

Ajoelha e não reza

Não, não tá fácil. Não sei se pra ninguém. Mas, para mim, certamente não. Nem escrever. Nem sair. Nem estudar. Tem sido uma batalha, eu diria. Várias, na verdade. Pequenas lutas diárias – a hora de levantar, dirigir, entrevistar, socializar, fingir que tá tudo bem. Mas não tá. E, às vezes, parece que só eu … Continue lendo Ajoelha e não reza

Limites

E – com pouca idade, muito pudor e nada de experiência – a gente acha que jamais toleraria isso ou aquilo. Mas o tempo vai passando e traímos nossos valores. E lá estamos nós, fazendo o que julgávamos errado. Erramos e amamos o erro. A dúvida passa a ser célebre e a certeza sem graça. … Continue lendo Limites

Bobagem

É vontade de dormir no sofá e sonhar com você. É nostalgia de ter tanta coisa para fazer e só conseguir concentrar em tua barba. (suspiro!) Não é amor, porém, é só saudade. É só desculpa para resgatar a inspiração, é só motivo inventado para escrever, é só o escritor que habita em mim à … Continue lendo Bobagem

Fugitiva

Substitui-te, todas as noites, pelo combo academia+Gabriel García Márquez. No caminho de volta para casa, ouço notícias. Quando na esteira ergométrica, assisto a seriados humorísticos. Evito canções. E não me identifico com nenhuma trama amorosa de nenhum Aureliano que habita as páginas de Cem Anos de Solidão. Ainda bem. Em almoços corporativos, discuto a volatilidade da bolsa de valores … Continue lendo Fugitiva

Leia-me

Nota: este texto é uma reedição (da série 'E-mails que, desesperada, mandei') Você me dá vontade de voltar a fumar, que é pra ver se supre de alguma maneira, se alivia essa tensão que mistura ansiedade com angústia. E aí eu percebo que fiz aquilo que prometi que não faria, desde o começo. Aquilo que … Continue lendo Leia-me