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Londres

Europe, here I come!

Especial ‘Diário de bordo’
"Londres me surpreendeu de diferentes e maravilhosas maneiras"

Querido leitor,

ficarei algum tempo sem atualizar o blog por falta de acesso à internet. Espero que esteja gostando de me acompanhar nessa viagem. Londres me surpreendeu de diferentes e maravilhosas maneiras (e espero que a você também).

Mas agora alçarei novos voos e, o mais rápido e assim que possível, voltarei a escrever. Prometo.

Gastronomia de Pub

Especial ‘Diário de bordo’
"Seguindo o estilo irlandês, esses bares estão espalhados pela cidade toda"

Por Ana Carolina Pereira

A Europa é famosa pela rica e deliciosa culinária. Quem nunca associou uma boa macarronada à nona italiana ou não quis provar uma autêntica paella espanhola ou um chucrute alemão?

Pois bem, exceção na turma dos poderosos da cozinha, a Inglaterra tem como prato típico o ‘fish and chips’, algo como peixe empanado servido com batatas fritas. Ser ruim ou bom vai do paladar de cada um e da sorte. Digo sorte pois pode-se encontrar o peixe frito pingando óleo, gorduroso e intragável ou sequinho, branquinho por dentro e crocante por fora. Pura sorte ou boa indicação.

Já sabido que delícias gastronômicas não são bem o ponto forte, os ingleses investiram mesmo em ter como famosos os Pubs. Seguindo o estilo irlandês, esses bares estão espalhados pela cidade toda. Diferente do que imaginava, seus interiores não são tão agradáveis, tampouco charmosos e acolhedores. Alguns chegam a cheirar a mofo.

Coincidência ou não, a diversão fica é na rua. Mulheres de saias, saltos e taiers, homens de terno e gravata, todos recém saídos de seus trabalhos e aproveitando o happy hour na porta. É isso mesmo, o comum é pegar a bebida (em sua maioria cerveja) e ficar do lado de fora do Pub bebendo e conversando.

Vale salientar que agora, no verão, o sol nasce às 7 horas da manhã e se põe apenas às 9 horas da noite. Portante, com o dia ainda claro, é assim que o inglês aproveita seu final de tarde: tomando uma cervejinha na porta do bar, comendo ‘fish and chips’ e, não raramente, tomando um pouco de chuva.

Bloquinho na mão

Especial ‘Diário de bordo’
"...o National Portrait Gallery é fundamental e gratuito"

Por Ana Carolina Pereira

Shakespeare, jóias da rainha, St. Paul’s Cathedral, Abadia de Westminster. Passeios culturais interessantes, agregadores de conhecimento e muito bonitos. Porém, o que mais me chamou a atenção até agora foi o National Portrait Gallery, o maior acervo de retratos de personalidades da Idade Média até os tempos modernos. São mais de 1.000 retratos de homens e mulheres que ajudaram a construir a história britânica.

O museu conta com 4 andares repletos de arte. Nas primeiras salas estão as pinturas mais tradicionais, muito realistas. O quadro ‘House of commons’, do pintor George Hayter é um bom exemplo. São 375 membros da corte e oficiais retratados minuciosamente. Impressionante. O mais legal de tudo é que bem ao lado da obra encontra-se um computador em que se pode identificar 323 desses muitos rostos. Se tiver tempo, paciência e interesse pode-se descobrir a história e papel de cada pessoa estampada na tela. E assim é com muitas outras obras. O museu conta com um riquíssimo acervo de informações.

Encontrei com muitas crianças inglesas por lá (o que não é muito comum pelas ruas). Excursões escolares aos montes se instalavam nas salas, sentadas em banquinhos, em frente a algum específico quadro. A guia entrava na personagem ao apresentar as mais relevantes personalidades. Explicava com vontade, com gosto, dando um valor inenarrável à história. Me deu uma enorme vontade de voltar à sexta série e escutar, dessa vez com a devida atenção, a tudo o que há para aprender.

Ao mudar de andares e sessões é possível observar com clareza não só o passar dos anos, a mudança nas vestimentas, os fatos históricos e a evolução da cidade, do país e do mundo, mas também a evolução dos retratos e da arte em si. É perceptível, na Idade Média, a preocupação dos pintores em retratar a realidade até surgir a fotografia e, com ela, novos estilos não tão reais e mais despreocupados, novas formas de arte como as caricaturas.

Uma das últimas salas reserva seu espaço para fotografias da família real, todas tiradas por John Swannell, fotógrafo oficial do palácio. A foto de maior destaque é de um momento informal, descontraído e íntimo da princesa Diana com os filhos, William e Harry, tirada quando brincavam entre sessões de foto para o cartão de natal oficial daquele ano.

O lugar é riquíssimo, usa a magia e beleza de printuras, gravuras, caricaturas e fotografias para contar a história do país. Para quem quer estudar a cultura e a história da Inglaterra, o National Portrait Gallery é fundamental e gratuito.

A different point of view

"Uma vista de tirar o fôlego de qualquer um"

Sentada num banquinho, numa praça de Londres. Ao meu lado o ‘The eye of London’ e o Big Ben, à minha frente o palácio de Buckingham. Uma vista de tirar o fôlego de qualquer um. Em minhas mãos, Jane Austen. Para ser mais precisa, ‘orgulho e preconceito’.

A fila para a roda gigante é imensa, de dobrar o quarteirão, mas a atração para mim é outra: logo atrás do meu banco, um rádio toca Hip Hop e alguns meninos fazem performances de street dance por pura diversão ao lado de crianças, casais, famílias e solitários que, sentados na grama super verde e bem cortada, aproveitam o pouco do sol que resolveu dar as caras. Os britânicos dão um extremo valor ao sol, coisa que eu, brasileira e adoradora do frio que sou, demoraria muito para entender.

"...num banquinho, numa praça de Londres"

Estou numa area VIP, no coração da cidade e não precisei gastar nem uma libra. Daqui observo tudo,  barraca de sorvetes, brincadeiras no gramado, gente de todo lugar. Não estou mais na Londres dos turistas, estou na Londres dos ingleses. 

"Não estou mais na Londres dos turistas, estou na Londres dos ingleses"

Para mim, viajar é isso: conhecer a essência do local. E fica aqui a minha dica de viagem:  não digo para deixar de lado os pontos turísticos, pois esses são essenciais. Porém, sempre sobra um tempinho para deixar o guia de lado, esquecer das horas, não fazer nenhuma programação e parar em algum cantinho diferente, desconhecido, que ninguém recomendou. Vai por mim, pode valer a pena!

Why would I wanna be anywhere else?

Especial ‘Diário de bordo’
- Ponte de Londres - "Dizem que o nublado de Londres escurece também seus moradores..."

Por Ana Carolina Pereira

Já passa da 1 hora da manhã (no Brasil era apenas 9 horas da noite) quando recosto a cabeça no travesseiro. O corpo sofre um incalculável desconforto ao tentar se adaptar ao novo fuso horário. Para isso deveria haver uma pílula, uma bebida, algo que fosse mais eficiente do que o chato cansaço pós-voo que me deixa grogue o suficiente para não conseguir trocar ideias que façam sentido, mas não para conseguir dormir a qualquer hora.

Programo o telefone do hotel para despertar bem cedo, assim como a televisão e o celular, motivados pelo medo de acordar ao meio dia e perder um dia em Londres.  

4 horas da manhã. Acordo com um barulho ensurdecedor. Meio tonta, aperto com todas as minhas forças o controle remoto pensando ser a televisão já despertando. Engano meu, é o alarme de incêndio. Corremos, eu e minha prima – fiel companheira de viagens – de um lado pro outro: Pegar as malas, deixar as malas, colocar uma roupa decente, um casaco pelo menos. Não, não, melhor sair assim mesmo, melhor do que morrer carbonizada.

No corredor um bando de pessoas semi nuas em seus baby-dolls e samba-canções. Cada um falando seu idioma, atordoadas. O alarme cessa. Cabeça de novo no travesseiro e…nada! 

nona sinfonia de Beethoven?  Hãm? Ah, sim, agora é a TV. São 7 horas da manhã. Será que eu dormi? Pareceu que apenas pisquei. Se não fosse por uma boa causa, certamente não abandonaria a tentadora cama.

“Pegou o guarda chuva?” Alerta o já experiente recepcionista. “Pra quê? Olha que lindo dia!” Dá um sorrisinho meio de lado que só vou entender depois, na parte de cima de um ônibus a céu aberto. Programa de turista é assim mesmo: ônibus de 2 andares que percorre a cidade toda dando ênfase aos pontos mais conhecidos. Como guia um fone de ouvido que, conectado ao veículo, conta a história da cidade em 8 idiomas diferentes, à escolha do freguês (passageiro, no caso).

‘Aqui morou John Lennon e Yoko Ono’, ‘aqui foi composta a canção Yesterday’, ‘aqui Paul McCartney se inspirava’ etc. Sorte minha gostar tanto de Beatles, senão estaria encrencada. Mas não é só isso. ‘My fair lady’ com Audrey Hepburn, St. Paul’s Cathedral, William Shakespeare. Para os mais românticos (e para uma tia minha em particular) conheci Notting Hill e passei pela ponte de Londres e muito, muito mais. Tudo que me era, de alguma forma, conhecido, toma forma sob meus pés e sobre minha cabeça. Várias paradas, longas caminhadas, muita observação.

Charmosas ruelas enfeitadas de flores que sorriem com o revezar da chuva e do sol. É fácil distinguir turistas de ingleses, mas se não fosse pelas vestes de lazer e trabalho difícil seria. Dizem que o nublado de Londres escurece também seus moradores, mas só presencio sorrisos amigáveis, mesmo com violentos e ocasionais encontrões ao atravessar a rua.

"Charmosas ruelas enfeitadas de flores que sorriem com o revezar da chuva e do sol"

A beleza está em todo lugar, perde-se muito com apenas um piscar de olhos. Meus conhecimentos sobre a cidade ainda são muito superficiais, minha vontade era ficar por aqui por mais uns belos anos para explorar cada detalhe, afinal, como disse uma vez Samuel Johnson, “when a man is tired of London, he is tired of life”.

Walkin’ round London town

Especial ‘Diário de bordo’

"Até cabines telefônicas são charmosas por aqui"

Por Ana Carolina Pereira

12 horas de voo. Cheguei! Um mundo todo novo para mim, nunca estive na Europa.

Aqui os motoristas dirigem seus adoráveis e engraçadinhos carros do lado ‘errado’ da rua e a população para para tomar o chá das 5 (com leite). No táxi, um veículo bem diferente, cabem 5 pessoas, sendo que 2 de costas para o motorista. Sendo assim, observo.

A arquitetura segue sempre a mesma linha, os prédios parecem ser todos iguais e me sinto como num filme clássico. Na porta do quarto do hotel, para dormir bem, um poema do inglês John Keith desejando bons sonhos. Um charme. Por falar em charme, o sotaque britânico me chama a atenção logo no aeroporto, na recepção e nos elevadores, fazendo qualquer inglês meio feinho (não que tenha muitos) e narigudo parecer um verdadeiro príncipe. Tá aí, a palavra certa para essa cidade nublada – mesmo no verão – é ‘charme’.  Tudo nela é encantador. Até cabines telefônicas são charmosas por aqui. O concreto dos canteiros é recheado de coloridas flores e ao lado delas passam os famosos ônibus de dois andares, ciclistas e pedestres que não parecem se incomodar com a inconstante garoa.

Sempre achei que nenhuma cidade no mundo me conquistaria tanto quanto Nova York, mas – mesmo com apenas poucas horas de experiência – me parece que Londres, que certamente não é tema de músicas e filmes à toa, pode entrar para o páreo. Tenho uma semana para descobrir o que essa encantadora cidade tem a me oferecer. Veremos.

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