Esta cidade mexeu comigo. As pessoas também. Mas, a esta altura do campeonato, já tinha experiência suficiente para saber que não posso me deixar levar pela emoção. Não outra vez.
Nunca fui muito religiosa, para desgosto de minha avó, tampouco pensava que religião poderia me trazer alguma razão. Mas dizem que a fé é a solução para qualquer desesperado.
Para ser bem sincera, de uma maneira bem estranha, aquela igreja também tinha mexido comigo. Talvez por suas cores, suas luzes, suas imagens ou a ausência de padres Marcelo ou Zezinho – nada contra, veja bem, mas é que, de verdade, acredito no poder das canções cantadas de maneira serena e em latim.
Deus, precisava de ajuda. Aonde mais poderia buscá-la?
Entrei. Não me importei com as pombas que voavam sobre minha cabeça, nem reparei se estava vazia ou cheia, mal escutei os sinos que anunciavam a próxima missa.
Pedi. Mais do que já havia pedido em cartas para o papai Noel. Acreditei. Muito mais que em coelhinho da Páscoa.
Implorei por uma luz, um sonho, uma conversa. Qualquer sinal que me ajudasse a reconhecer o melhor caminho a tomar.
Te juro que fui invadida por uma paz descomunal. Saí com uma certeza absurda de que havia sido escutada.
Satisfeita, desci a imponente escadaria. No décimo degrau torci o pé.
Entendi o recado.

Anúncios